A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 06/09/2021
A canção “Jealousy Jealousy”, interpretada pela norte-americana Olivia Rodrigo, traz em sua letra como a comparação com pessoas “com dentes perfeitamente brancos e corpos perfeitos” está fazendo com que ela deseje ser qualquer outra pessoa. Tal realidade é agravada quando existe a popularização de filtros que alteram as feições dos usuários, que acabam por perpetuar uma noção deturpada de beleza, incentivando a inveja. Esse cenário causa malefícios à saúde mental dos usuários das redes socias, levando a criação de perfil fake devido ao poder da mídia.
Primordialmente, é preciso reconhecer o poder midiático no âmbito de incentivar um molde de beleza utópico. Sob essa ótica, é válido citar o filósofo iluminista, Jean-Jacques Rousseau, o qual defendia que o homem era produto do meio. Esse contexto resulta na manipulação da informação veiculada pela mídia pelo uso de táticas ou técnicas de apresentação da informação transmitida pelos meios de comunicação, de modo a favorecer interesses de determinada parte. Logo, é fulcro que haja uma desconstrução nesse parâmetro que normaliza mudanças comportamentais influenciadas pela mídia.
Além disso, é necessário analisar o crescente número de perfis falsos após a manipulação nos filtros. Sob a perspectiva do tratado fisiológico que discute a relação entre realidade, sociedade e símbolos do sociólogo Jean Baudrillard, simulação é a imitação de uma operação ou processo existente no mundo real. De maneira análoga, a autonomia e facilidade de uso das ferramentas tecnológicas da geração Z demonstra a possibilidade de agir e ser alguém diferente, seja por falta de coragem de assumir quem realmente é ou mesmo por achar que dessa forma pode ser livre para agir como quiser. Como consequência, tanto da utilização de efeitos liberados pelos aplicativos quanto da criação de uma conta falsa, a saúde mental e autoestima da população são afetados.
Fica evidente, portanto, fica claro que a popularidade de filtros vem da crescente pressão midiática. Por isso, é necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com as empresas privadas de comunicação, realize em suas mídias, lives com psicólogos, explicando os malefícios da alteração da própria imagem, a fim de que os usuários estejam cientes das consequências psicológicas que tal escolha possa causar. Para que, assim, adolescentes não fiquem presos aos padrões estéticos de “dentes perfeitamente brancos e corpos perfeitos” e possam ter coragem de agir e mostrar quem realmente são.