A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 10/09/2021
A canção “Pretty Hurts”, interpretada pela norte-americana Beyoncé, traz em sua letra uma crítica ao padrão imposto pela sociedade e a busca infrutífera de alcançá-lo. Tal realidade é refletida na popularização de filtros que alteram as feições dos usuários, que acabam por perpetuar uma noção deturpada de beleza. Esse cenário ocorre não só em razão da indústria midiática promover um arquétipo irrealista, mas também pela normalização de procedimentos estéticos invasivos que, em alguns casos, são desnecessários. Assim, nota-se a necessidade de discutir acerca dessa questão, a fim de propor soluções concretas que amenizem a situação atual. Ademais, é preciso reconhecer o poder da mídia no âmbito de incentivar um molde de beleza utópico. Nesse contexto, destaca-se a escolha de modelos para propagandas que, em sua maioria, obedecem um padrão alcançado somente após a realização de cirurgias. Sob essa ótica, é válido citar o filósofo iluminista, Jean-Jacques Rousseau, o qual defendia que o homem era produto do meio. Logo, esse tipo de comportamento resulta no fortalecimento de uma crença eurocêntrica do que é considerado belo pela sociedade, uma vez que, somente pessoas brancas e magras são representadas nos principais veículos de comunicação. Dessa forma, é apresentado um quadro extremamente preocupante, visto que, são ignorados os traços étnicos de diferentes comunidades. Decerto, a ocorrência de procedimentos estéticos tem se tornando tão frequente, que sua realização se torna habitual para a população. De acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica, em 2018, mais de um milhão de operações foram feitas no Brasil. Esse dado, somado com o caso recente da atriz Giovanna Chaves que, apesar de já ser magra, se submeteu a uma lipoaspiração, mostra uma geração tornando-se obcecada pelo corpo e rosto perfeito. Dessa maneira, alterações no corpo tem se tornando tão comum que gera uma crise de autoestima na população mais nova, pois são retratadas como atraentes, pessoas que passaram por uma série de operações cirúrgicas. Portanto, fica claro que a popularidade de filtros vem da crescente pressão midiática em ditar o que é belo, bem como a normalização de cirurgias visando se enquadrar nesse padrão. Para tanto, urge que o Ministério da Saúde, em parceria com as empresas privadas de comunicação, realize em suas mídias, lives com psicólogos explicando os malefícios da alteração da própria imagem, , a fim de que os usuários estejam cientes das consequências psicológicas que tal escolha possa causar. Paralelamente, a Secretaria da Cultura deve fiscalizar as propagandas divulgadas pelas grandes marcas, criando normas sobre os modelos a serem escolhidos, com o objetivo de fornecer uma maior representatividade, para que as gerações futuras não sofram a mesma pressão da música de Beyoncé.