A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 09/09/2021

Sob a perpectiva do poeta Charles Bukovski, beleza não vale nada e depois não dura. Conquanto bem fundamentada, tal alegação não reflete a realidade sociocultural hordierna, visto que a manipulação de imagens e seus malefícios à saúde mental acompanham um processo de hipervalorização estética enraisado no meio. Nesse sentido, destaca-se não só o papel da mídia icentivadora de um arquétipo irrealista, bem como a normalização de procedimentos estéticos invasivos atrelados à busca pela semelhança irreal de um padrão. Logo, cabe a análise da questão mencionada, em prol de  compreender e analisar a problemática.

Convém pontuar, a princípio, as revistas e meios de comunicação como grandes responsáveis pela idealização atual de um “corpo ideal”. Segundo o filósofo Noam Chamsky, a imprensa pode causar mais danos que a bomba atômica e deixar cicatrizes no cérebro. Nesse contexto, percebe-se que o impacto das imagens frente a uma rede irrealista de cenários faciais e corporais inalcançáveis reflete em uma busca desesperada e perigosa pela perfeição. Prova disso é a popularização de remédios para emagrecimento ou anabolizantes, cirurgias de risco e doenças como bulimia, anorexia ou distorção de imagem. Assim, torna-se fundamental a atuação mais eficiente por parte dos Òrgãos Corporativos responsáveis, a fim de reverter o cenário insalubre  contemporâneo.

Ademais, é primordial ressaltar a padronização dos procedimentos estéticos intensificados pela popularização de filtros que alteram as feições dos usuários. Conforme dito pelo cirurgião plástico Ivo Pitanguy, a moda passa, mas as cicatrizes ficam. Nesse viés, entende-se que as práticas de modificação pessoais acompanham possíveis consequências e riscos que não devem ser ignorados. Exemplo disso foi o caso da modelo Andressa Urach que, mesmo já sendo considerada “bela”, passou por uma complicação na coxa após a aplicação de hidrogel, levando-a a sérias probabilidades de óbito. Destarte, é indispensável a providência de ações efetivas voltadas aos cuidados no uso de vídios e fotos manipuladas, assim como na constante obcesssão social em consumo e técnicas cirúrgicas.

Evidencia-se, portanto, que a pressão da mídia influencia nos padrões estéticos, inspirando filtros e ajudando na normalização de cirurgias. Posto isso, cabe ao Ministério da Saúde, mediante o investimento em empresas privadas de comunicação, que primorará a divulgação de lives e publicações com maior representatividade e avisos sobre a alteração de imagem, rumo à ampla diminuição em efeitos, photoshops e na propagação da aceitação individual e coletiva. Dessa forma, a beleza estética descrita por Bukovski, representando uma óptica otimista, não terá mais tanto valor e não será submetida a modificações.