A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 26/09/2021

A constituição brasileira de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º o direito a saúde, tanto física quanto mental como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa os impactos que a manipulação de imagens nas redes sociais trazem á saúde mental. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favoressem esse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a divulgação de um padrão de beleza irreal, constituído a partir de filtros que criam imagens “distorcidas” nas mídias sociais. Nesse sentido, nota-se um aumento no número de pessoas que vão em busca de cirurgias plásticas, muitas vezes dispostas a arriscarem suas próprias vidas para se sentirem aceitas na “vida real”, tal como se sentem com os filtros no meio virtual. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo e contratualista John Locke, configura-se como uma violação ao “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos brasileiros desfrutem de seus direitos.

Ademais, é fundamental apontar a falta de informação e acesso a conteúdos que “desmistifiquem” a existência de um padrão ideal de beleza -fora da realidade virtual- como impulsionadores dos malefícios causados a saúde mental dos brasileiros. Segundo a ISAPS (sociedade brasileira de cirurgia plástica estética), o Brasil é o país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo. Diante de tal exposto, vê-se que, a falta de aceitação e baixa-autoestima são realidades cada vez mais próximas da sociedade brasileira. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescíndivel que o governo, juntamente com a OMS (organização mundial da saúde), por intermédio da criação de programas educacionais -onde existam campanhas incentivando as pessoas da importância da autoaceitação, além, do perigo por tráz dos filtros de redes sociais- com ênfase na saúde mental voltada para a era da tecnologia. Assim, se consolidará uma sociedade mais consciente, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como John Locke.