A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 08/10/2021

Na música “Desconstrução” do cantor e compositor Tiago Iorc, o trecho “Nas aparências todos são iguais, singularidades em ruína” revela uma unicidade em relação ao padrão de beleza. Atualmente, a busca incessante pela aceitação social por mecanismos estéticos está promovendo a manipulação de imagens nas redes sociais. Nessa perspectiva, infere-se que a causa desta problemática está no excesso de comparações feito pelos usuários da rede, ocasionando um grave aumento nos índices de ansiedade e depressão.

Primeiramente, cabe analisar como as comparações estimulam o desejo de manipulação de imagens. Isso acontece devido ao fato  das pessoas quererem viver fora da realidade, ideia corroborada pelo filósofo Jean Baudrillard, na qual define o conceito de simulacro, onde a representação da realidade se torna mais interessante que a própria realidade. Dessa forma, alterar traços das fotos nas redes se torna uma alternativa para encaixar-se dentro do padrão social, criticado pelo escritor Tiago Iorc em sua música.

Destaca-se, ainda, um aumento preocupante em relação à saúde mental dos jovens. Segundo estudos publicados na “JAMA Pedriatics”, dobrou o número de adolescentes com ansiedade e depressão, desde o início da pandemia de covid-19. Isso pode ser explicado através da alta exposição nas redes sociais, gerando preocupações sobre como sua imagem pode ser vista ou se vai ser aceito dentro de um grupo social, por exemplo.

Pode-se concluir, portanto, que medidas sejam tomadas para reduzir os impactos da problemática. Cabe ao Governo Federal, através do Ministério da Educação, promover palestras, debates e discussões, com o auxílio de professores e pedagogos, sobre educação digital nas escolas, a fim de que os jovens aprendam a utilizar as redes sociais de maneira mais saudável. Outrossim, o Governo, com o Ministério da Saúde, também deve criar políticas públicas de auxílio aos jovens com depressão, ajudando-os com o tratamento da doença. Desse modo, os padrões de beleza irão perder força gradativamente, fortalecendo a singularidade de cada pessoa, como citado na música do cantor Tiago Iorc.