A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 14/10/2021
A Constituição federal de 1988, norma jurídica de maior hierarquia no Brasil, prevê o direito à saúde como inerente a todo cidadão. Contudo, no cerne da contemporaneidade, apesar dessa garantia judicial, tal preceito não se reflete, efetivamente, no cotidiano nacional quando se observa a manipulação de imagens nas redes sociais causando malefícios à saúde mental. À luz desse enfoque, é essencial anali-sar que essa perversa realidade tem gênese no sistema capitalista e é perpetuada pela inoperância es-tatal. Logo, medidas estruturais são necessárias para reverter esse grave quadro.
Diante desse cenário deletério, é imprescindível apontar o modelo econômico vigente como catalisa-dor da manipulação de imagens nas redes sociais. Decerto, desde a Primeira Revolução Industrial, o fo-co do sistema capitalista é somente a acumulação de riquezas. Nesse sentido, atualmente, essa priori-zação de lucros se reflete na teoria “Sociedade do espetáculo” do filósofo Guy Debord, a qual afirma que as relações são mediadas por imagens na internet, ou seja, representações imediatas que fazem as pessoas abdicarem da realidade e passarem a viver num mundo de aparências e consumo permanente de fatos, notícias e mercadorias. Sob essa lógica, é indubitável que, infelizmente, tal estrutura cria um fenômeno de massificação alienadora, o que gera doenças mentais, dado que, ao não se enquadrar nessa lógica irrealista e opressora, o indivíduo não se sente parte da sociedade e, por isso, desenvolve ansiedade e depressão. Isso posto, depreende-se a grande chaga econômica que o sistema capitalista se tornou, pois, enquanto houver a manipulação dos veículos de comunicação por intermédio dessa es-fera, o crescimento no número de casos de distúrbios psíquicos há de perdurar no país.
Além dessa mácula, cabe salientar a indiligência governamental no tangente às ínfimas medidas para combater, de maneira séria e prioritária, os malefícios à saúde mental causados pelas redes sociais. Isso é perceptível, lamentavelmente, pela carência de psicólogos nas unidades básicas de saúde (UBS), as quais deveriam fornecer o atendimento para os problemas mais recorrentes da população. Essa conjuntura, conforme a máxima do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, faz com que o Ministério da saúde se configure como uma instituição “zumbi”, posto que ele viola sua incumbência de garantir que os cidadãos brasileiros desfrutem de direitos indispensáveis previstos na Constituição Cidadã, como à saúde. À vista disso, infere-se que a ineficiente máquina estatal opera como uma corporação “zumbi” ao cercear os que sofrem de ansiedade e depressão a um cenário nefasto de descaso estrutural.
Dessarte, os fatos supracitados precisam ser remediados. Assim, cabe ao Ministério da Saúde — haja vista seu papel de efetivar a Carta Magna — fornecer psicólogos à população, por meio das UBS, a fim de tratar e prevenir os malefícios mentais causados pela manipulação de imagens nas redes sociais.