A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 16/10/2021
Em países subdesenvolvidos, como Chile e Argentina, há a aplicação de leis que visam proteger os cidadãos do excesso das mídias sociais. No Brasil, entretanto, a livre circulação de ferramentas que permitem a manipulação de imagens nas redes sociais põe em risco a saúde mental e o bem-estar dos indivíduos. Esse cenário nocivo ocorre não só devido à falta de criticidade do corpo civil, mas também em razão de políticas públicas ineficazes pelo Estado. Nesse sentido, é válido destacar a ausência de uma reflexão crítica dos usuários como fator expressivo aos malefícios do uso não consciente das redes sociais.
Nessa lógica, de acordo com o jornal CNN, cerca de 54% dos brasileiros que utilizam aplicativos que manipulam suas imagens e as submetem on-line estão mais sujeitos à depressão e à ansiedade patológica. Observa-se, por esse ângulo, infelizmente, que a carência de atitudes reflexivas em plataformas interativas põe a saúde mental dos cidadãos em risco e, por consequência, há um aumento da vulnerabilidade do corpo civil, dado que a manipulação impede atitudes autônomas do indivíduo. Esse quadro prejudicial vai de encontro às ideias do filósofo existencialista Jean-Paul Sartre, o qual a firma que o homem torna-se um ser social e livre à medida em que conhece todo o seu processo de emancipação e evita os disfarces da realidade. Dessa forma, nota-se que o adultério de imagens impede a liberdade e a soberania do ser existencial.
Além disso, é imprescindível salientar a ausência políticas públicas que elucidem os perigos da manipulação de imagens on-line. Nessa perspectiva, segundo o teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer, o teste de moralidade do Estado é como ele lida com os problemas sociais a fim de preservar a saúde mental dos cidadãos. À vista disso, o alheamento governamental em fornecer meios que fomentem a reflexão a respeito do uso consciente das redes sociais, como campanhas publicitárias educativas, colabora para a dominação e a arbitrariedade dos aplicativos sobre a autonomia do indivíduo. Dessa maneira, pode-se considerar o Estado brasileiro como pouco moral aos moldes de Bonhoeffer, uma vez que ele nega ações que poderíam salvaguardar o bem-estar mental dos cidadãos conectados à internet.
Verifica-se, portanto, a necessidade de romper esse quadro danoso. Para isso, cabe ao governo federal, responsável pela administração dos interesses da nação, por meio de campanhas educativas em TV aberta, promover a conscientização dos usuários on-line acerca dos malefícios da manipulação de imagens, com o objetivo de tornar os cidadãos críticos acerca das consequências de suas ações. Dessa maneira, será possível a formação de uma nação moral conforme às ideias de Bonhoeffer.