A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 18/10/2021

O filósofo alemão Karl Marx, em seu livro “O Capital - I”, apresenta o “fetichismo da mercadoria”. Por meio desse conceito ele explica que nas sociedades capitalistas as mercadorias aparecem como as verdadeiras detentoras de virtudes, em detrimento do indivíduo humano. Infelizmente, a sociedade brasileira contemporânea ainda enfrenta esse problema, mas adequado às novas tecnologias, haja vista que as redes sociais utilizam seus algorítmos para vender um padrão de beleza artificialmente idealizado como um produto sem o qual não se pode viver. Diante disso, inúmeras pessoas, além de alterarem suas imagens com filtros digitais, desenvolvem doenças mentais associadas à frustação com a vida real e seu descompasso com o mundo virtual, tomado como modelo de felicidade.

Em primeiro lugar, é oportuno salientar que no mundo atual há uma pressão constante pelo sucesso e pela aceitação, o que fomenta a procura por padrões compartamentais e estéticos. Sob essa ótica, tem-se, conforme explica o filósofo francês Guy Debord, uma “sociedade do espetáculo”, na qual todos são condicionados a performarem um show, ou seja, uma vida perfeita, ainda que contrária à realidade. Portanto, cada vez menos a verdade importa e, assim, cresce preocupantemente o valor das falsas narrativas e retratos aos olhos da população, independentemente de suas implicações.

Por conseguinte, os usuários das mídias sociais tendem a experienciar constantes decepções concretas e psiquicamente lesivas quanto à própria aparência, tomando por paradigma perfis artificiais que, muitas vezes, não passam de uma nova forma de propaganda difundida pelos algorítmos para a venda de outras mercadorias. Desse modo, há o risco de a sociedade brasileira chegar, inclusive, ao nível do mundo retratado em “Nosedive”, episódio da série britânica Black Mirror, em que os moldes das redes constituem as normas sociais vigentes e os que delas distoam são inferiorizados, razão pela qual passam por graves quadros de sofrimento psicológico. Essa situação, certamente, configura-se como desagregadora e não deve ser negligenciada.

Em suma, alternativas devem ser elucidadas a fim de frear os impactos negativos da manipulação de imagem nas redes sociais, impedindo, pois, que continuem causando malefícios à saúde mental dos cidadãos brasileiros. Assim sendo, cabe ao Congresso Nacional elaborar um projeto de lei por meio do qual as plataformas ficarão obrigadas a, além de produzir e transmitir aos seus usuários campanhas conscientizadoras que reforçem o valor da autoaceitação estética, modificarem seus algorítmos de modo a possibilitar a exposição de distintos estilos de vida e aparência. Espera-se, com essas medidas, tirar o Brasil do caminho que leva ao mundo destópico de “Nosedive”.