A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 03/11/2021
O despontamento da internet como ferramenta de sociabilidade, dinâmica essa fomentada pela Revolução Técnico-Científica-Informacional, trouxe ao panorama coletivo o impasse relacionado à distorção de imagem e a sua consequente reverberação na saúde mental dos internautas. Nesse sentido, cabe analisar que, como causa principal dos distúrbios psíquicos ocasionados pelas redes sociais, tem-se a absorção, pelos indivíduos, de moldes preestabelecidos.
Sob esse viés, em primeira instância, é lícito postular que a interiorização de esteriótipos consagrados propulsiona o mal-estar individual. Isso ocorre pois, em paridade com as ideias proclamadas pelo psicanalista francês Jacques Lacan, as mídias consolidadas exercem enorme pressão sobre os usuários, os quais se encontram imersos em um cenário pictórico, marcado por ilusões e distorções do concreto. Entretanto, por mais que os indivíduos repugnem certos produtos veiculados, a mensagem central de manipulação permanece, o que contribui com o desenvolvimento de padrões comparativos a serem seguidos. Assim, é possível inferir que as redes de dominação encontram-se camufladas, por exemplo, em vestimentas da moda atual, em maneiras de se portar e, principalmente, na estética atuante.
Outrossim, é válido mencionar que, como resultado do fenômeno de personalização supracitado, configura-se, cada vez mais, a falta de amor próprio e a dificuldade de autoaceitação, aspectos que culminam na deteriorização da saúde mental . Nessa perspectiva, em consonância ao posicionamento de Zygmund Bauman na obra “Modernidade Líquida”, a contemporaneidade é guiada pelas aparências, em que o “parecer” torna-se premissa essencial de inclusão. Dessa forma, o tecido social hodierno é marcado pela enorme chaga da felicidade artificial, enormemente exaltada pela coletividade.
Destarte, a fim de mitigar a manipulação inerente às redes midiáticas, é necessário que ações sejam efetivadas. Para tanto, as grandes empresas dotadas de engajamento, como a Instagram e a SnapChat, devem impor limites e restições à política de atuação instaurada no corpo organizacional. Isso deve ser feito por meio da retirada de efeitos faciais naturalmente inalcançáveis e idealizadores da estética perfeita. Ademais, tais corporações necessitam incentivar a inclusão de modelos reias, que retratem, de fato, as diversidades e os contrastes existentes. Com efeito, permeará, na nação verde-amarela, uma realidade que demonstre as múltiplas facetas do ser humano.