A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 10/11/2021

O filme “Amor.com” evidencia, entre outros aspectos, a vida de uma blogueira que publica fotos do seu dia a dia, as quais, muitas vezes, são modificadas para atender o desejo do público alvo. Analogamente, na contemporaneidade, observa-se que as redes sociais corroboram a manutenção de padrões estéticos e, em consonância com a ampliação de ferramentas de edições de imagem, a busca pela perfeição intangível é compartilhada como algo fácil. Contudo, a manutenção de uma vida perfeita na internet pode acarretar a negligência e não aceitação da realidade , ou seja, urge a execução de medidas intervencionistas, objetivando mudar o cenário atual.

Em primeria análise, os padrões de beleza sempre existiram nas sociedades, mas obtiveram um maior alcance e impacto com o advento das mídias sociais, visto que as personalidades públicas compartilham as tendências lançadas como metas a serem seguidas. Entretanto, em uma população miscigenada, a padronização corporal exclui as diferenças existentes, levando os sujeitos a não aceitarem suas particularidades e recorrerem a alterações por meio de softwares de edição. Tal premissa é paralela aos inúmeros filtros disponíveis em redes sociais, como o Instagram, os quais afinam o nariz, mudam a cor dos olhos e até clareiam a pele, em uma tentativa de embelezamento artificial pautado nos padrões estabelecidos.

Em segunda análise, os aplicativos de edição, que antes costumavam ser de difícil acesso e manuseio, estão cada vez mais populares, sendo baixados facilmente em dispositivos eletrônicos. Contudo, a dependência exarcebada desses programas, como meio para obter correções, diferentemente da realidade, pode ocasionar sentimentos como frustração e baixa autoestima, pois fora do mundo virtual a perfeição não é algo tangível. Nesse sentido, é nítido que para refrear a necessidade de viver sob aparências, é necessário mudar a noção coletiva sobre esse tema, pois, como Émile Durkheim afirmava em seu conceito de fato social, normas culturais transcendem o indivíduo e podem exercer controle social.

Evidencia-se, portanto, a necessidade existente, por parte do Estado, em tomar as medidas cabíveis para contornar essa problemática. Para isso, cabe ao Governo Federal, por meio do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos, criar campanhas midiáticas e educativas que ambicionem a promoção do exercício da solidariedade e do respeito às diversidades, para que os padrões sociais não influenciem nem na busca pelo uso de aplicativos de edição, nem na necessidade de modificação do próprio corpo, proporcionando a aceitação individual e social. Assim sendo, a perfeição buscada em filmes como “Amor.com” poderá ser restrita ao âmbito ficcional.