A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 24/02/2022

O progressivo crescimento do uso de redes sociais, característico da maior exposição ao ambiente digital na contemporaneidade, implica um compartilhamento mais frequente de fotos e a utilização de aplicativos de filtro para as editar. Tais modificações podem apresentar um caráter lúdico, como os filtros de cachorrinho ou os de distorção facial exagerada e cômica, mas também têm a capacidade de impor padrões estéticos e afetar negativa e intensamente a saúde mental de seus usuários.

Tal impacto ocorre devido à presença de filtros que propõem “embelezar” do rosto do indivíduo, adicionando maquiagens e modificando as dimensões de regiões faciais, como os lábios, o nariz, os olhos e a mandíbula, simulando os aspectos físicos considerados ideais pelos algoritmos que regem esses aplicativos. Esse método de operação, que se baseia em coletar informações sobre as características estéticas de indivíduos convencionalmente atraentes, propaga ideais de beleza que não condizem com a realidade da maioria de seus usuários, os quais, gradual e inconscientemente, internalizam esses padrões estéticos.

Dessa forma, os indivíduos são condicionados a idealizar as aparências que lhes são apresentadas como “bonitas” nos filtros, considerando-as um padrão a ser seguido e, consequentemente, tornando-se insatisfeitas com a própria forma física. Esse processo de pensamento, induzido pelos aplicativos, acarreta uma prolongada degradação da saúde mental, gerando ou intensificando traços depressivos, além de incentivar o consumo compulsivo de produtos e serviços de beleza e “fitness”, por exemplo, na tentativa de adequar seus aspectos físicos aos padrões de beleza em questão.

Visto que a disponibilidade de filtros para fotos pode causar graves prejuízos à saúde mental de seus usuários, é de suma importância que as redes sociais que permitam o uso dessas ferramentas, como Facebook e Snapchat, impeçam a utilização dessas ferramentas através de sua remoção de seus aplicativos, com o intuito de evitar a disseminação de ideais estéticos rígidos e, assim, preservar a integridade psicológica dos usuários.