A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 18/03/2022

A série “Euphoria” retrata a vida de Kate, uma garota gorda que se sente re-primida e deslocada na era da ascensão dos corpos malhados na internet. Em con-sonância com a realidade do seriado, está o mundo, uma vez que os jovens são ex-postos a um alto volume de imagens, muitas vezes manipuladas, de físicos perfei-tos e, procurando se adequar aos arquétipos, começam a lidar com frustrações e transtornos mentais. Diante disso, a sociedade padece com a busca em atingir mo-delos de corpos irreais e com a decepção frente ao fracasso de não conquistá-los.

À vista disso, segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, tem-se que a mídia, criada como um instrumento da democracia, não deveria ser transformada em mecanis-mo de opressão simbólica. Contudo, percebe-se que, atualmente, os grandes veí-culos de comunicação em massa são utilizados para difundir os padrões de beleza predominantes, os quais se opõem à pluralidade típica da espécie humana, uma vez que reafirmam a superioridade de um tipo de corpo específico frente aos demais. Perante o exposto, os portadores dos demais biótipos sofrem tentando se enquadrarem com os que são publicados e admirados na internet.

Ademais, é válido destacar que os casos de problemas mentais, como buli-mia e ansiedade, estão, muitas vezes, atrelados ao esforço de se inserir nos parâ-metros sociais. Sob esse viés, segundo o filósofo Byung Chul Han, a sociedade con-temporânea é caracterizada por um excesso de positividade, o que colabora para a ascensão da crença de que os seres humanos devem alcançar a excelência nos mais diversos campos de sua vida. Essa visão utópica, porém, pode levar ao desen-volvimento de transtornos psicológicos e de um quadro de exaustão, haja vista que os indivíduos se frustram ao perceberem que a manutenção desse ideal é inviável.

Portanto, faz-se imprescindível que a mídia, meio de larga escala, inteire a sociedade a respeito da frequente manipulação das imagens difundidas nas redes sociais, por meio de comerciais periódicos, visando que menos pessoas se compa-rem à corpos inalcançáveis. Paralelamente, o Estado, principal propiciador da har-monia social, deve conscientizar os cidadãos sobre os perigos da busca em atingir os padrões de beleza, mediante campanhas públicas, objetivando a diminuição dos casos de anorexia e bulimia, por exemplo.