A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 24/05/2022
As redes sociais são uma fantástica ferramenta de conexão interpessoal. No entanto, propaga-se nelas um conceito de vida perfeita, em que todos são felizes e, principalmente, bonitos - seguindo um padrão. A realidade é que tal vida não existe, mas a manipulação de imagem que ocorre nas redes é capaz de convencer as pessoas de que sim. Ao ser impulsionada pelo desejo de pertencimento a uma comunidade, tal manipulação torna-se perigosa à saúde mental dos usuários, devendo, portanto, ser mitigada.
Com a popularização de redes sociais como o Instagram, veio junto a ideia de filtros: efeitos que podem ser aplicados em sua foto antes de postá-la para embelezar a você. Assim, é fácil sair bonito - de acordo com os padrões de beleza estabelecidos na rede - em qualquer postagem. Porém, isso acaba colocando os usuários da rede em uma busca insaciável por tal padrão de beleza irreal, de maneira que se torna prejudicial à sua saúde mental: são comuns os casos de depressão e distúrbios alimentares causados pelo sentimento de não ser tão belo ou feliz quanto os outros demonstram ser nas redes.
Ademais, a manipulação de imagem nas redes intensifica os malefícios das relações superficiais construídas nelas. Zygmunt Bauman, em seu conceito de modernidade líquida, afirmava que as relações interpessoais nunca foram tão superficiais quanto hoje - causando, assim, uma sensação de solidão. Percebe-se seu conceito no contexto de que, ao se enquadrar mais no padrão de beleza das redes, mais seguidores e “amigos” você obtém, incentivando-o a se encaixar cada vez mais numa tentativa incessante de reduzir sua solidão que, de maneira contraditória, é causada justamente por tais relações supérfluas e portanto apenas a fortalece - alimentando, assim, possíveis problemas de saúde mental.
Desse modo, ficam claros os malefícios da manipulação de imagem nas redes à saúde mental de seus usuários. Cabe, portanto, às redes sociais reduzirem a propagação de padrões de beleza inalcançáveis com o fim de proteger seus usuários. Tal objetivo pode ser alcançado por meio de funcionalidades que, utilizando, por exemplo, dados estatistícos e até mesmo inteligência artificial, permitam que os usuários identifiquem imagens alteradas digitalmente.