A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 07/09/2022

Gil Vicente tece uma feroz crítica ao comportamento problemático da sociedade em " O Auto da Barca do Inferno". É possível visualizar tal concepção vicentina na manipulação de imagem nas redes sociais, que tem fomentado diversos malefícios à saúde mental dos usuários e estimulado a busca desenfreada por um padrão de beleza inalcançável. Nesse contexto, configura-se um complexo problema que tem como causas o silenciamento do tema e a má influência midiática.

Sob esse viés, em primeiro plano, a invisibilização da temática impacta na ques-tão. De acordo com essa perspectiva, Lilia Schwarcz defende que o Brasil possui prática na política de eufemismos, ou seja, determinados problemas tendem a ser suavizados. Com efeito, tal suavização está presente no panorama do uso de filtros em fotos e vídeos nas redes de socialização, uma vez que há ausência de debates e fóruns de discussão em escolas, por exemplo, sobre os impactos negativos da ma-nipulação da autoimagem ao psicológico dos indivíduos, que passam a se enxergar de forma distorcida. Desse modo, sem políticas públicas de conscientização, o cor-po civil, infelizmente, recorre a cirurgias plásticas. Assim, urge educar a população.

Além disso, é coerente apontar a falta de responsabilidade da mídia como um fator agravante do problema. Seguindo essa lógica, Rupi Kaur aponta que a repre-sentatividade, também no espaço midiático, é vital. De fato, é notória a influência da falta de representação dos diversos corpos e identidades em veículos de massa na problemática da manipulação de imagens nas mídias sociais, visto que há pouca presença de pessoas com traços considerados “fora do padrão” na televisão. Dessa forma, preocupantemente, diversas pessoas usam filtros para se encaixarem no i-deal veiculado. Destarte, é preciso que a mídia se torne mais responsável.

Portanto, é necessário intervir nesse cenário. Para tal, o Ministério da Educação deve realizar campanhas publicitárias na TV, bem como “workshops” em ambientes escolares, sobre os prejuízos que os filtros acarretam à saúde mental dos usuários que os utilizam constantemente. Essa inciativa ocorrerá por meio de uma Lei de Di-retrizes Orçamentárias que destine verbas para o projeto, a fim de mitigar o silen-ciamento do tema. Ademais, tal ação pode contar com divulgação na internet. Des-sa maneira, a perspectiva vicentina deixará de ser vista na realidade.