A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 03/10/2024
Em “A República”, Platão idealizou uma sociedade harmoniosa, sustentada pelo esforço coletivo para resolver impasses sociais. Contudo, no Brasil contemporâneo, a relação entre mídias sociais e saúde mental dos jovens revela uma desconexão com esses ideais, devido à ineficiência governamental e ao silenciamento midiático. Diante disso, é imperativo intervir de forma precisa para assegurar o bem-estar dessa geração e a harmonia social.
Sob esse viés, cabe destacar a ineficiência governamental como causadora dessa problemática. No livro Cidadão de Papel, o renomado escritor Gilberto Dimenstein discorre sobre o fato de que muitos direitos são restritos ao papel, não se concretizando na prática. De maneira análoga à obra de Dimenstein, observa-se que essa crítica pode ser associada ao Brasil atual, visto que a saúde não é democrática, o que, por conseguinte, impossibilita que parte da sociedade usufrua do direito ao bem-estar social. Logo, conclui-se que as autoridades públicas devem promover ações sensíveis para resolver essa situação.
Além disso, o silenciamento midiático mostra-se como um potencializador desse revés. Conforme o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, algumas instituições deixaram de exercer sua função, operando como “zumbis”. Sob essa ótica, a crítica de Bauman pode ser associada às mídias, que, embora responsáveis por fornecer informações, negligenciam o controle sobre o tempo de tela para menores de idade. Isso, por conseguinte, gera uma má formação social, que acaba resultando em nomofobia (vício em celular). A persistência desse quadro impossibilita que a saúde mental seja acessível para todos.
Depreende-se, portanto, que medidas são necessárias para reverter esse cenário. Cabe ao Ministério da Educação promover palestras nas salas de aula, com profissionais especializados em saúde mental, com o objetivo de reduzir os impactos das redes sociais na vida dos jovens. Ademais, cabe às mídias promover campanhas de conscientização sobre os riscos da nomofobia, utilizando influenciadores para educar a população sobre essa questão. Somente assim, os ideais de Platão poderão ser devidamente aplicados na prática.