A mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 03/10/2019
O processo de urbanização desestruturado, ocorrido no século XX no Brasil, trouxe uma série de problemas crônicos, dentre eles: os desafios da mobilidade urbana. Nesse contexto, a sociedade convive com um sistema em colapso, seja pelo excesso de veículos nas rodovias, seja pela baixa diversidade nos modais utilizados pela população. Logo, é de suma importância apontar as questões e ampliar o debate para a solução da problemática.
Em primeira análise, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a frota de automóveis nacional apresentou um aumento de 400% nas últimas décadas. De certo, esse número retrata a conjuntura vivenciada, pois, o transporte público, em suas diversas áreas se mostra ineficiente, além de possuir estruturas precárias. Por conseguinte, se observa uma repulsão para com esse meio de locomoção. Nesse viés, segundo à Teoria do Habitus proposta pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu, a civilização constrói padrões que são desenvolvidos, alicerçados e, sucessivamente, seguido pelos indivíduos. De tal forma, a sociedade se configura com uma ascendente classe média, que compactua com o aumento retratado e se sustenta pela prática constante dos padrões impostos.
Ademais, a concentração do transporte sustentado no modal rodoviário se mostra em deficiência, em virtude de precipitadas políticas públicas adotadas. Nesse cenário, o governo de Juscelino kubitschek foi determinante para esse quadro, pois, caracterizou-se por privilegiar esse sistema, já que estabelecia acordos econômicos com multinacionais automobilísticas, visto que, sua base de desenvolvimento se calcava em investimentos estrangeiros. Entretanto, na contemporaneidade o país sofre com os efeitos dessa política, dado que, a multimodalidade dos transportes se configura uma boa solução para o Brasil, um país com dimensões continentais e por apresentar cenários territoriais favoráveis.
Em síntese, são necessárias medidas que atenuem a problemática da mobilidade urbana no Brasil. Portanto, cabe ao Ministério da Infraestrutura – órgão da administração do Estado, responsável pelas políticas nacionais de trânsito e de transportes – investir na aplicabilidade de um cenário multimodal, por meio de programas de gerenciamento de áreas e rastreamento da melhor estrutura a ser implantada em cada região, além de promover melhorias no transporte público, como forma de promover a desconcentração do atual sistema. Outrossim, o Governo realizar deduções de impostos para empresas que incentivarem seus funcionários a utilizarem um modo de locomoção alternativo, como forma de diminuir a poluição gerada e resultar no descongestionamento dos grandes centros. Dessa forma, a população reproduzirá boas práticas, de acordo com a teoria de Pierre Bourdieu.