A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 21/08/2019

De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade funciona como um mecanismo biológico, se via mal, entra em colapso. Nesse sentido, para que o meio seja coeso e equilibrado, é necessário que os direitos civis sejam garantidos. Porém, ao analisar o cenário de mobilidade urbana, no Brasil, nota-se que esses direitos não estão sendo garantidos, dado que a população brasileira sofre diariamente com problemas de locomoção no trânsito. Sobre isso, cabe analisar os fatores históricos e governamentais responsáveis por esse cenário.

A princípio, é possível perceber que tais circunstâncias devem-se ao modal predominante no Brasil. Em vista disso, sabe-se que no governo desenvolvimentista de Juscelino Kubitscheck, foi criado um extenso movimento rodoviário que acarretou numa maior venda de carro e, também, na implantação do modelo rodoviário como o principal no país. Nesse contexto, a compra constante de carros fez com que a mobilidade urbana ficasse comprometida, uma vez que os fluxos desses veículos tornaram-se cada vez mais intensos nas rodovias. Com isso, a locomoção na sociedade brasileira tornou-se uma problemática para a população, uma vez que o trânsito lotado influencia de maneira negativa no deslocamento.

Vale ressaltar, também, que essa situação é corroborada pela ineficácia do governo na garantia de políticas públicas. A respeito disso, cabe citar o artigo 5º da constituição federal de 1988, em que todo cidadão tem o direito de ir e vir. Entretanto, ao analisar a precariedade do transporte público, nota-se que o Estado tem entrado em conflito com o ideal proposto pela constituição. Isso porque, o excesso de pessoas num ônibus público e os preços oferecidos a população - pelo acesso a um transporte que muitas vezes nem se encontra em condições favoráveis - é muitas vezes superior aos que podem ser pagos por um indivíduo que utiliza dos meios públicos como locomoção diariamente. Como consequência, é comum greves realizadas pela comunidade para melhoria nesse meio de transportação.

Assim, conforme afirmou o filósofo Rene Descartes, não existem soluções fáceis para problemas difíceis. É fundamental, portanto, que o Estado em parceria com a Secretaria Municipal de cada cidade, promova campanhas de incentivo ao transporte público, com o intuito de reduzir o fluxo de carros nas rodovias, visando um deslocamento mais tranquilo e viável para a população brasileira. Ademais, ainda por ações governamentais, cabe ao governo promover melhorias no preço dos transportes públicos e, também, no conforto para que os indivíduos possam enfim, usufruir dos direitos previstos na constituição de 1988, podendo ir e vir de maneira justa e confortável.