A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 22/08/2019

Rodovias e automóveis

A tardia industrialização brasileira foi marcada pela interferência estatal. O Estado, com o intuito de atrair empresas multinacionais automobilísticas e de incentivar o consumo, foi responsável pela construção de muitas rodovias e de infraestruturas para a circulação de veículos automotores. Tal política de incentivo fez com que as grandes cidades brasileiras ficassem saturadas de automóveis, o que gera muitos problemas de mobilidade pois o espaço urbano não é capaz de comportar um número tão alto de veículos.

Em virtude do estímulo à aquisição de carros, criou-se no Brasil uma cultura “carrocêntrica”. Em São Paulo — a maior cidade do país —, por exemplo, os carros ocupam mais de 60% do espaço das vias, mas carregam apenas 20% dos passageiros, de acordo com a Secretária Municipal de Transporte (SMT). Para efeito de comparação, em Tóquio, uma metrópole assim como a cidade paulistana, segundo dados do governo japonês, duas em cada três pessoas que se deslocam diariamente ao trabalho utilizam bicicletas. Isso ocorre porque há um alto investimento em ciclovias, sinalização e bicicletários seguros, o que não se vê na nação brasileira.

Ademais, a herança “rodoviarista” deixada pelos governos brasileiros piora a situação da mobilidade urbana. Para ilustrar, um estudo da FGV (Fundação Getúlio Vargas) indica que 70% do transporte de carga no Brasil é realizado através do modal rodoviário, por conseguinte o grande potencial aquaviário do país, um modo de transporte eficiente e limpo, é subutilizado e a situação complicada da mobilidade urbana é agravada, visto que a circulação de caminhões nos centros urbanos é intensa. Pelo contrário, a China, nação que mais cresceu no século XXI e referência mundial em logística, escoa mais de 50% da sua produção pelo modal hidroviário, diz a FGV.

Logo, para que as cidades brasileiras possam ter uma circulação mais rápida e eficiente, o governo deve agir de modo a desconstruir a herança “rodoviarista” e a cultura “carrocêntrica” vigentes no país. Portanto, o Ministério dos Transportes deve buscar Parcerias Público-Privadas (PPPs) para investir no modal hidroviário brasileiro, realizando obras de dragagem e construção de eclusas, a fim de que a eficiência do escoamento da produção aumente e a circulação de veículos nas vias urbanas diminua. Concomitantemente, o Ministério das Cidades deve se esforçar para implantar um projeto de lei denominado “Programa Bicicleta Brasil”, o qual propõe que 15% do valor arrecadado com multas de trânsito no país seja direcionado ao melhoramento da infraestrutura de ciclovias e a uma maior disponibilidade de aluguel de bicicletas a um preço acessível, deixando o trânsito mais limpo e fluído.