A mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 28/08/2019
O primeiro automóvel chegou ao Brasil apenas em 1900 com acesso restrito à pequena parcela da população, obtendo um símbolo de prestígio social que perdura até a atualidade. Somente na década de 50, com a política de industrialização automobilística de Juscelino Kubtchesk, que pode-se falar em “cultura do automóvel” no Brasil. O aumento gradativo no poder de compra do brasileiro em simbiose com fetichismo sobre essa mercadoria eleva o número de carros circulantes nos grandes centros prejudicando a fluidez do trânsito. É neste contexto de preocupação com a mobilidade que surge o incentivo de empresas privadas ao uso de bicicletas e patinetes eletrônicos. No entanto, seus preços para uso não são viáveis para grande parte da população, perpetuando a má dinâmica urbana e distanciamento do uso de novos recursos por parte da população carente.
Em primeiro lugar, sob ótica marxista, os objetos adquiriram valor a medida que o ser humano foi se reificando, tornando-se coisa. O automóvel na sociedade brasileira passou a ser um modelador dos costumes e consequentemente da cultura vigente. No país, em famílias com poder aquisitivo alto, é comum e até mesmo considerado um ritual, presentear o filho que completa a maioridade com um carro. A poupança que se fazia para pagar a faculdade hoje tem uma nova companheira, a poupança para comprar o primeiro carro. Este é um dos fatos que explica o boom exponencial automobilístico nos centros urbanos: a aquisição da habilitação vem de brinde um carro.
Por conseguinte, é notório a presença de um elemento comum nos centros urbanos da atualidade: bicicletas -e os mais recentes- patinetes elétricos. Todos possuem cores padronizadas de modo que qualquer pessoa saiba que está usando esse produto. Fetichismo da década. Alugado por 0,50 centavos o minuto, o propósito desses produtos que é o aumento da mobilidade, diminuição da poluição e manutenção do bem-estar ficaram novamente restritos à população com poder aquisitivo.
Em síntese, para melhorar a mobilidade urbana vigente está claro que é necessário o investimento na rede pública de transporte. Governos municipais em parceria com as empresas de transporte além de ampliar as frotas devem regularizar a situação dos motoristas, garantindo-lhes seus direitos e evitando greves paralisadoras. À população carente, após renda devidamente comprovada, será fornecido pelo Governo Federal um vale transporte que o isentará de pedágios em estradas, pontes e balsas, visto que o trabalho pendular é expressivo no país. Por fim, haverá uma parceria do Governo Federal com as empresas competentes de bicicletas e patinetes. O fornecimento de crédito mensal para as pessoas de baixa renda utilizarem esse produto, além de dar o poder de escolha de como se locomover, lhes integram mais na sociedade já que conseguem usufluir do fetichismo vigente.