A mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 30/08/2019
É sabido que Juscelino Kubitschek, na década de 50, promoveu a construção de uma cidade para ser a sede da capital brasileira. O fato de Brasília ter sido planejada, com ruas largas e bem definidas, lhe afastou de um problema que afeta a maioria dos grandes centros no Brasil: a mobilidade urbana. Esta dificuldade de locomoção se faz presente, principalmente, nas cidades que cresceram verticalmente e sem estrutura para tal contingente populacional. Nesse contexto, faz-se profícuo analisar a ineficácia do transporte público e a falta de conscientização da população como pilares fundamentais da problemática.
Primeiramente, é notório a afirmar que a superlotação dos transportes coletivos devido ao crescimento abrupto das cidades é uma consequência a ser analisada. Aliás, os passageiros buscam fugir dessa situação claustrofóbica com a aquisição de um carro, embora tal atitude seja ‘’benéfica’’ para o indivíduo, ela apenas intensifica esse problema social. Segundo o filósofo Hans Jonas, a base de uma sociedade está no fato de, uma vez esta sendo sustentável, construir seus fundamentos pensando nas gerações futuras. Se isto não ocorre, alguns aspectos precisam ser revistos.
Em segundo lugar, ressalta-se o papel das pessoas na reversibilidade desse quadro, haja vista que seria extremamente positivo para a sociedade um cidadão que agisse em prol do bem coletivo, por exemplo, ir ao trabalho de ônibus, invés de pensar apenas no seu próprio bem e adicionar mais um carro às vias públicas. Dessa forma, é mister que o indivíduo faça uso da ética kantiana, mais especificamente, da lei universal. Para Kant, antes de agir, deve-se refletir se essa ação poderia ser praticada por todos os seres humanos do mundo, caso a resposta seja negativa, o filósofo recomenda não agir nesse sentido.
Fica claro, portanto, que medidas tornam-se necessárias para amenizar os impactos da mobilidade urbana no Brasil, em especial, nas cidades que tiveram crescimento abrupto e sem planejamento. Logo, cabe aos estados prejudicados, com intuito de mitigar a superlotação dos modais de transporte, investir em infraestrutura, isto é, construir linhas de metrôs, rodovias, ciclovias e portos. Além disso, impende à mídia, em consonância com as escolas, criar campanhas informativas e educativas com escopo de despertar no cidadão um sentimento de coletividade, para que este, tome decisões a fim de suavizar a problemática, como ir para o trabalho de carona. Dessa forma, atenuar-se-á o impacto nocivo da ineficiência da mobilidade urbana na cidade.