A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 31/08/2019

Na segunda metade do século XX, ocorreu o maior êxodo rural já registrado no país. A mecanização do campo, a industrialização das cidades e a busca por uma melhor qualidade de vida levou milhares de brasileiros a sair do interior. O aumento do contingente populacional, porém, se tornou um problema devido ao despreparo das cidades. Com isso, é visto o aumento dos transportes piratas e as dificuldades enfrentadas pelos pedestres no dia a dia.

A precariedade do transporte público e a falta de linhas que alcancem toda a cidade, abrem espaço para o uso de transportes piratas. Ao se deparar com ônibus e metrôs sucateados, atrasados ou até mesmo com a escassez desses transportes, o brasileiro, muitas vezes, opta pela utilização de transportes irregulares. A pressa de chegar ao seu destino faz com que as pessoas tomem decisão que podem ser perigosas. São inúmeros os crimes nesses tipos de transporte, mas o cidadão, por vezes, se vê sem opções. Como foi o caso de Letícia Souza Curado, que estampou os meios de comunicação. Por estar atrasado , Letícia, de Planaltina-DF, decidiu pegar um transporte pirata, a vítima da precariedade da mobilidade urbana brasileira se tornou, mais tarde, vítima de um feminicídio.

Além disso, os pedestres veem, com grande frequência, a dificuldade de encontrar seu espaço nas ruas. A falta de faixas de pedestres, calçadas, passarelas e passagens subterrâneas obrigam aqueles que decidiram se deslocar a pé a arriscarem suas vidas ao atravessar rodovias movimentadas. Em Brasília, no entanto, o problema foi colocado em pauta com a criação da Diretoria de Mobilidade a Pé que propõe novas formas de pensar a cidade e refletir sobre o espaço do pedestre.

Entende-se, portanto, que cuidar da mobilidade urbana é cuidar do bem-estar social. Sabendo disso, os governos estaduais e distrital, juntamente com as empresas de transporte, devem aumentar as linhas de metrôs e de ônibus, bem como, melhorar a qualidade de seus transportes a fim de diminuir a demanda de transportes piratas. É necessária, também, a ampliação da Diretoria de Mobilidade a Pé, pelo governo federal, para outras cidades brasileiras a fim de fomentar a criação de políticas públicas para pedestres.