A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 05/09/2019

A luz da “Era Vargas”, emergiu no cenário brasileiro a CLT (Consolidação das Leis de Trabalho) exclusiva, a priore, somente para trabalhadores urbanos. Tal medida desfavoreceu o trabalhador rural, tornando-se mais vantajoso o trabalho nas cidades. Com isso, o movimento de êxodo rural se acentuou, tornando os centros urbanos cada vez mais populosos. A emigração desenfreada do campo para a cidade trouxe incontáveis problemas, um deles, a deficitária mobilidade urbana. Assim, faz-se necessário analisar os fatores que corroboram para o conturbado e estressante trânsito nas metrópoles brasileiras.

Inicialmente, é notório a desproporção de moradores nas cidades brasileiras, tornando os polos industriais um amarrotado de pessoas e, por conseguinte, de veículos circulando. O desemprego, falta de saneamento básico, água e doenças, são problemáticas que fazem o indivíduo deixar sua cidade interiorizada rumo aos grandes centros urbanos em busca de condições de vida mais favoráveis. O que não acontece, muitas vezes. Nesse contexto, a favelização entra em cena acompanhada a outros inúmeros problemas. A crescente urbanização de centros populosos afetam a necessidade e direito do cidadão de ir e vir, dificultando a rotina de trabalho e/ou escolar do morador, que passa horas no trânsito para conseguir se locomover dentro da cidade.

De outra parte, é cabível considerar a saúde do cidadão que se compromete ao ser submetido à exaustão de horas parado em um engarrafamento. O tempo de lazer e as noites de sono diminuem paralelo a crescente correria diária. O estresse da vida urbana tem refletido drasticamente na vida humana, não raro, nota-se o crescente índice de depressão e suicídio no século XXl. Para o sociólogo Émile Durkheim, a causa para todos os tipos de suicídios são sociais. Diante disso, é evidente a proporção inquestionável que a falta de planejamento social exerce na vida humana.

Dessarte, haja visto os malefícios da urbanização sem medidas sociais que previnam os problemas urbanos, como o de mobilidade, evidência-se a carência de intervenção. Para tanto, urge que o Governo brasileiro invista em programas que visem estimular o uso de transporte coletivo, através de propagandas que conscientize a população das vantagens em dividir o transporte com outra pessoa que possua o mesmo destino que o seu, desse modo a quantidade de carros circulando tenderia ao decréscimo. Paralelamente, é papel do Governo, também, destinar verbas públicas ao transporte escolar de estudantes e universitários, a fim de garantir uma formação aos jovens brasileiros e futuramente, uma população saudável que goze de uma mobilidade urbana fluída e sem estresses. Sendo assim, a questão de deslocamento nos centros urbanos deixará de ser uma problemática.