A mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 05/09/2019
De acordo com a constituição Cidadã, o transporte é um direito social. Entretanto, na hodierna conjuntura brasileira, fatores como a histórica supervalorização do modal rodoviário em detrimento dos outros e a compra de automóveis como forma de obtenção de prestígio impedem a plenitude desse direito. Nesse sentido, medidas devem ser tomadas para que a mobilidade urbana efetiva seja alcançada no país.
A priori, é fundamental salientar que o Brasil, durante o governo JK, incentivou a entrada de capital estrangeiro, especialmente de empresas automobilísticas, que exigiram uma infraestrutura rodoviária adequada. No entanto, embora o governo brasileiro tenha atingido o seu objetivo inicial, a priorização de carros aconteceu concomitantemente ao sucateamento do modal ferroviário, o que, aliado ao precário sistema de transporte coletivo urbano, representa um impasse. Assim, mais de meio século depois, existem poucas linhas férreas que transportem passageiros no país, fato que impede que um alto contingente de pessoas faça um movimento pendular—trajeto de uma cidade a outra para trabalhar— de modo célere e contribui para a lotação das rodovias.
Outrossim, é importante ressaltar que, de acordo com Pierre Bordieu, o consumo de mercadorias de alto valor pode ser interpretado como uma forma de obtenção de prestígio social. Sob essa ótica, percebe-se que a compra de automóveis individuais ocorre não apenas para a função de transporte, todavia também por um fator de distinção social. Assim, percebe-se que a necessidade de autoafirmação perante a sociedade influi diretamente no alto número de veículos individuais circulantes, fato que mitiga o bem-estar social, visto que o deslocamento urbano torna-se mais moroso.
Portanto, urge que a mídia televisiva —detentora de grande poder de convencimento— crie telenovelas que abordem a temática, por meio de personagens que utilizem ônibus e metrôs nos grandes centros do país e que sofram com a precariedade desses sistemas, com o fito de gerar debate em cadeia nacional e estimular que a população cobre de seus governantes investimentos no setor. Ademais, é função do Estado—promotor do bem-estar social— reverter o quadro de sucateamento de modais, por meio de uma reforma do meio ferroviário e criação de linhas férreas que liguem as metrópoles e as cidades circundantes, a fim de que menos pessoas utilizem carros para realizarem trajetos pendulares e o tempo de percurso seja diminuído. Assim, a mobilidade urbana de qualidade será assegurada no país.