A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 12/09/2019

O século XX, no Brasil, foi marcado pelo governo de Juscelino Kubitschek, momento em que houve a ampliação do rodoviarismo, ou seja, a construção de rodovias para integrar o território brasileiro e incentivar a implantação de indústrias automobilísticas. A predominância desse modal, entretanto, contribuiu para um grande desafio da maioria dos brasileiros na contemporaneidade: a mobilidade urbana. Isso se deve, sobretudo, pela mentalidade social de desvalorização do transportes alternativos e, ainda, pelo descaso governamental.

Convém ressaltar, a princípio, que a concepção cultural de desvalorização dos transportes alternativos dificulta a mobilidade urbana. Acerca disso, quando o renomado filósofo Lev Vigotsky afirma que a escola não deve se distanciar dos aspectos da vida social de seus participantes, corrobora-se a necessidade de eixos como o transporte sustentável serem desenvolvidos no ensino básico. Porém, ao contrário dessa lógica, a prioridade do currículo básico brasileiro voltada frequentemente para o tecnicismo alienado agrava o problema, na medida em que, neste formato, contribui para desinformação acerca dos benefícios dos transportes coletivos, desconsiderando a necessidade de planejamento da malha urbana. Surge assim, um uso exagerado e negligente de automóveis pela população, que é simultaneamente agente e alvo das consequências desse problema.

Outrossim, verifica-se que a insuficiência de ações do Poder Público é causa evidente do problema. A esse respeito, no Brasil, a Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU) dispõe que é dever dos gestores públicos planejar o crescimento das cidades de forma ordenada, priorizando os serviços de transporte coletivo. No entanto, o Estado diverge de tal perspectiva, pela carência de investimentos na construção de ciclovias, na compra e manutenção de transportes públicos e, principalmente, pela escassez de informes educativos que estimulem a adesão popular a esses meios de locomoção, denotando a escassez de planejamento da urbanização brasileira. Em decorrência disso, configura-se um contexto de congestionamentos que a abala a qualidade de vida da população.

Portanto, para resolver o problema compete às instituições formadoras de opinião, como escolas e setores da mídia de amplo alcance, fomentar uma mentalidade de adoção ao transportes alternativos, por meio de palestras, documentários e séries sobre a temática, os quais sejam capazes  de explicitar os prejuízos socioambientais decorrentes da cultura do automóvel, com o fito de mitigar as adversidades no presente modal. Além disso, cumpre aos governos municipais e ao federal ampliar alternativas ao modelo rodoviário, por meio de uma redefinição de orçamentos, que disponibilize mais transportes coletivos e ciclo faixas com intuito de possibilitar melhor comodidade nas cidades.