A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 16/09/2019

Com a criação da máquina a vapor na Primeira Revolução Industrial e, a posteriori, o carro, o mundo se abriu a novas formas de locomoção de cargas e pessoas. Contudo, apesar dessas inovações facilitarem o deslocamento, trouxeram, a longo prazo, problemas de a mobilidade urbana, em que o trânsito caótico das grandes cidades prejudicam a saúde de todos os residentes. Nesse sentido, devido à falta de planejamento urbano e ao excesso de carros nas rua, a problemática instala-se no Brasil, ditando sequelas que urge serem mitigadas.

É válido ressaltar, antes de tudo, que a falta de planejamento das cidades contribui para o trânsito caótico nas grandes metrópoles brasileiras. Assim, característica da urbanização de países subdesenvolvidos, as regiões centrais possuem maiores ofertas de emprego enquanto os trabalhadores encontram-se nas periferias. Nesse viés, diariamente tem-se uma massiva quantidade de pessoas que se deslocam para os grandes centros, porém, as metrópoles não possuem recursos para esse exacerbado fluxo. Desta forma, o trabalhador passa horas no transito, uma vez que as rodovias não comportam o grande número de carros que por ali passam; além da superlotação dos transportes públicos, uma vez que esses não possuem a capacidade para locomover o montante de pessoas que usam-no.

Pode-se salientar, ainda, o impulso governamental ao transporte individual. Sob esse ângulo, esse estigma é característica do modelo rodoviarista implementado por Juscelino Kubitschek, nos anos 60, em que houve o estímulo à compra de carros individuais. Destarde, como exposto pelo sociólogo Max Weber, as ações sociais são reproduzidas de maneira instintiva ao se impregnar na cultura; assim é a cultura brasileira do carro próprio, em que possuir o veículo tornou-se o fetiche de mercado dos brasileiros. Prova disso foi uma pesquisa feita pela FGV (Faculdade Getúlio Vargas), no qual os dados evidenciam o crescimento de 400% na frota de veículos individuais.

Infere-se, portanto, que os desafios da mobilidade urbana no Brasil são reflexos da falta de planejamento das grandes metrópoles. Logo, é papel das prefeituras promover um projeto que viabilize transportes alternativos, como oferecer bicicletas, patins e patinetes gratuitos para a população; além de modernizar a frota de ônibus com a construção de um segundo andar, para que possa comportar o dobro de pessoas, no intuito de melhorar a qualidade do transporte público e estimulá-lo. Ademais, cabe ao Governo Federal desestimular o uso carros e, para isso, deve realizar campanhas, em conjunto com programas de televisão, em que mostrem as desvantagens do transporte individual- como a enorme emissão de gás carbônico, como também o alto custo para mantê-lo.