A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 17/09/2019

A sociedade contemporânea vem sofrendo mudanças cada vez mais radicais e abruptas desde a primeira revolução industrial, no qual o êxodo rural, consequência desse período, proporcionou uma maior concentração populacional nas cidades, transformando o cotidiano das pessoas, em especial o deslocamento que foi reduzido, uma vez que os serviços passaram a ser em uma mesma região.Contudo, essa nova configuração espacial acabaria por gerar problemas futuros com relação ao deslocamento nos grandes centros urbanos, que hoje, sofrem cada vez mais devido a falta de planejamento urbano e aos incentivos à indústria automobilística e à aquisição de novos veículos.

Em primeiro plano é importante destacar  que a dificuldade do Estado em solucionar o problema da mobilidade urbana possui origens históricas. Nota-se, a partir do século XX a preferência dos governantes pela política do rodoviarismo, em especial no governo de Juscelino Kubitschek. A primazia do investimento em rodovias, em detrimento dos demais tipos de transporte, se deu pelo custo ser menor e a estruturação mais rápida. Assim, na intenção de incentivar também a industrialização, JK trouxe para o Brasil a indústria automobilística, que agora poderia se firmar, uma vez que já havia uma rede de transporte que pudesse integralizar todo o território nacional.

Por conseguinte, presencia-se uma forte influência do aumento do poder de consumo dos brasileiros, além da falta de um planejamento urbano por parte do Estado, como aspectos que acentuam a problemática da mobilidade urbana. Em 2011 o Banco Central adotou como medida à evitar a contenção de crédito e manter o mercado “aquecido”, a promoção do financiamento facilitado na aquisição de veículos. Esse artifício, aliado ao serviço de transporte público ser má qualidade, incentivam a população à compra de veículos particulares, o que causa o aumento de carros nas ruas e a crise no deslocamento das cidades. Além disso, o Estado realiza ações pouco eficientes nas estruturas viárias, buscando somente melhorar as vias de acesso como ruas e rodovias sempre de forma isolada, negligenciando os principais problemas que causam a conurbação de veículos.

Portanto, urge que o Governo Federal destine verbas públicas aos Estados e municípios para que possam instalar transportes públicos interligados e de qualidade, assim adaptando as formas de deslocamento de acordo com a realidade morfológica de cada região,  nas cidades costeiras, por exemplo, integrando o transporte fluvial/marítimo e rodoviário. Ademais, deve-se garantir a dinâmica viária eficiente, melhorando o serviço e a segurança dos transportes de massa, ruas e rodovias. Dessa forma, será possível garantir mais espaços nas ruas, reduzir poluentes e o tempo gasto no trajeto das pessoas. Só assim, será possível combater o problema da mobilidade urbana nas cidades brasileiras.