A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 25/09/2019

Durante seu governo, Juscelino Kubitchek destinou boa parte dos recursos financeiros brasileiros para a indústria automobilística, o que favoreceu seu incentivo no país. Todavia, percebe-se que essa atitude estatal refletiu negativamente no Brasil contemporâneo, uma vez que há um caos na mobilidade urbana, fruto do acúmulo de veículos nas estradas. Tal fato advém da má infraestrutura modal pública e da influência midiática.

Em primeiro plano, é evidente que a infraestrutura precária dos transportes coletivos é o principal fator para a problemática. Segundo a Carta Magna de 1988, o Estado deve garantir a qualidade dos modais públicos para a população, contudo, essa norma não é praticada, uma vez que devido ao pouco investimento no setor modal, ele é insuficiente e precário, fato visto, por exemplo, em falhas mecânicas nos ônibus, bem como na escassez de metrôs em determinadas regiões. Destarte, isso favorece a alta aquisição de veículos, sobretudo, carros para suprir a falha estatal quanto ao deslocamento civil.

Ademais, o incentivo midiático também contribui para a difícil mobilidade nas cidades. Sob esse viés, conforme a filosofia alemã de Adonor e Horkheimer a indústria cultural dissemina, mediante publicidades, a urgência do produto, para estimular seu consumo, diante disso, é visível essa teoria no tocante ao meio automobilístico, visto que as propagandas enaltecem esse setor como forma de aceitação social. Dessa forma, essa manipulação acarreta a compra desenfreada de automóveis e, consequentemente, congestionamentos com estresses no trânsito urbano.

Urge, portanto, a necessidade de ações que combatam o impasse brasileiro. Sob essa ótica, o Ministério da Infraestrutura deve melhorar o sistema modal público, por meio de maiores verbas, destinadas para oferta de mais metrôs e reparos nos ônibus, a fim de que não haja necessidade de compra de outros veículos. Outrossim , é mister que a mídia televisiva incentive o senso crítico quanto à atuação publicitária, mediante novelas relativas a elucidar acerca das apelações consumistas da indústria automotiva, com o fito de  incentivar o modal coletivo. Para que, assim, o caos urbano seja revertido.