A mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 01/10/2019
Iniciada em 1956, a expansão do setor automobilístico foi um dos principais objetivos do Plano de Metas do Governo Juscelino Kubitschek. Passadas seis décadas, embora o Brasil tenha tornado-se um dos países com maior frota de carros do mundo, pouco foi o seu investimento em infraestrutura, o que causou sérios problemas como a dificuldade da mobilidade urbana.Nesse sentido, pode-se associar esse panorama à falta de planejamento pelo Estado e aos impactos no modo de vida da sociedade.
Em primeira análise, é importante relacionar a falta de estrutura urbana ao desordenado processo histórico de urbanização brasileira. Nesse viés, o incentivo às indústrias de base por Getúlio Vargas, proporcionou a explosão demográfica nas cidades de forma rápida e desorganizada . Sob essa ótica, os investimentos na logística urbana foram insuficientes, uma vez que pode ser observada a falta de oferta de transporte público e infraestrutura como sinalização e segurança. Desse modo, diante da incapacidade do Estado em promover trasportes coletivos, a compra de carros cresceu de forma alarmante, a qual tornou o Brasil o oitavo maior mercado de automóveis, conforme levantamento da empresa “Focus2move”. Logo, os problemas com mobilidade não devem ser atribuídos ao aumento do número de carros isoladamente, mas a falta de mecanismos que tornem possível a sua circulação.
Outrossim, é válido destacar que uma das principais características da sociedade pós-moderna é a sua necessidade de se deslocar. Como ilustração, a pesquisa do Instituto Brasileiro de opinião e estatística (IBOPE) revelou que em 2018, o paulistano passava quase 3 horas por dia no trânsito. Dessa forma, diante dos estímulos constantes que um cidadão passa no cotidiano caótico das cidades, ocorre o que o sociólogo alemão Georg Simmel classificou de” intensificação da vida nervosa” a qual pode levar a transtornos como ansiedade e depressão. Ademais, a pesquisa do IBOPE revelou outro ponto crítico: 44% dos paulistanos têm ou já tiveram problemas de saúde causados pela poluição. À vista desse fato, é fundamental salientar que os impactos ambientais causados pela emissão de gases tóxicos por veículos podem causar danos irreversíveis à natureza e saúde humana.
Por conseguinte, para evitar problemas como a falta de mobilidade, a concepção desenvolvimentista proposta pelo presidente JK deve ser ampliada a todos os setores, especialmente, na infraestrutura e gestão urbana. O Governo Federal deve ampliar, portanto, os investimentos no transporte coletivo mais barato e eficiente por meio de parcerias público-privadas, com uma maior diversificação dos modais de trânsito com a integração e diversificação dos modais de trasporte como trem e metrô além de recursos menos poluentes a exemplo das ciclovias.Com isso, será proporcionado maior bem-estar social e os impactos ao meio ambiente causados por gases serão consideravelmente reduzidos.