A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 03/10/2019

A mobilidade urbana consiste no aparato cotidiano que exerce o principal direito do cidadão brasileiro: o de ir e vir. Apesar de ter sido tópico central das discussões durante o período de industrialização do Brasil - no pós Primeira Guerra Mundial - que demandava organização e dinâmica na cidade para que a realidade industrial funcionasse sem grandes problemas, tal cenário hoje se torna problemático na medida em que há um Estado inobservante à questão dos reparos das estradas e à falta de planejamento urbano, historicamente justificado por governos negligentes.

É relevante abordar, primeiramente, que a falta de planejamento urbano para as crescentes cidades contribuiu severamente para os problemas relacionados a esse cenário. Tal fato se explica durante o século XX, em que Juscelino Kubitschek propôs o “Plano de Metas” - projeto que incentivou o crescimento industrial desenfreado e propiciou, assim, o êxodo rural intenso em busca de empregos. Dessa forma, as cidades cresceram desgovernadamente e sem planejamento algum que mitigasse as consequências desse panorama - como favelização da cidade e aumento de contingente de usuários de transporte público -  e hoje acaba por corroborar na realidade desordenada e pouco funcional dos grandes centros urbanos, como os trânsitos caóticos e os transportes públicos ineficientes.

Aliado a isso, os muitos quilômetros de estradas sem reparo reforçam a precária mobilidade urbana atual. Resultado direto do pensamento “rodoviarista” de Juscelino, o modal terrestre foi implantado em larga escala ao longo de todo o território nacional como forma de integrar o país e atrair multinacionais automobilísticas. Contudo, de acordo com os dados oficiais do governo federal, o país apresenta cerca de um milhão e meio de rodovias não pavimentadas e descuidadas, incumbência não realizada pelo poder público. Assim, justificado por um Estado inobservante ao seu dever de manter as vias terrestres dignas de se transitar, a mobilidade urbana é piorada devido ao grande número de rodovias negligenciadas e fechadas para reparos e, consequentemente, ao acúmulo de automóveis em áreas centrais sem estrutura adequada para lidar com esse cenário.

Dessarte, medidas que visam amenizar os impactos da insatisfatória mobilidade urbana brasileira são necessárias. Para tal, o Ministério do Transporte deve promover a melhor organização espacial dos centros urbanos e suas vias terrestres, por meio de investimento em setores responsáveis pela infraestrutura e planejamento nacional para que seja executado um projeto de organização urbana e melhorias rodoviárias. Essa proposta sugere, a médio e longo prazo, a melhor reorganização espacial das metrópoles afim de atenuar as superlotações das áreas de locomoção e, assim, praticar a cidadania plena ao assegurar o direito básico de ir e vir dos cidadãos.