A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 22/10/2019

Parafraseando Isaac Newton, um corpo não terá seu movimento alterado a menos que forças externas suficientes ajam sobre ele, sobressaindo sua inércia. Esse é, infelizmente, o hodierno cenário da crise na mobilidade urbana brasileira: uma inércia que perdura em detrimento da escassa estrutura dos transportes públicos, além da poluição atmosférica. Sendo assim, convém analisar os principais pilares dessa chaga social.

Vale ressaltar, a princípio, que preocupações associadas a tal problemática não apenas existem, como vêm crescendo diariamente. Outrossim, Juscelino Kubitschek durante o seu mandato presidencial, na década de 50, investiu fortemente na locomoção rodoviária e em indústrias automobilísticas, abandonando o transporte coletivo. Ademais, tal impasse perdura no atual cenário do país: transportes defasados, trânsito lento, excesso de passageiros e, também, altas tarifas propiciam no aumento do índice de brasileiros que optam por veículos particulares, favorecendo na formação de um problema social com dimensões cada vez maiores.

Consequentemente, faz mister, ainda, salientar o excesso de gases estufas lançados diariamente na superfície terrestre como impulsionador da problemática. Por conseguinte, Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, alegou em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu para criatura sequer o legado de nossa miséria; possivelmente, hoje, ele percebesse quão certeira foi sua decisão: a atual conjuntura da crescente poluição atmosférica é uma das faces mais lamentáveis do âmbito nacional. Isto posto, com esta instabilidade ambiental aumenta-se, gradativamente, a temperatura média do planeta ocasionando, entre outras tribulações, da perca de habitats e nichos ecológicos das mais variadas espécies do planeta, contribuindo para sua extinção.

Destarte, forças externas suficientes devem tornar efetivas vencendo a inércia proposta por Newton. Dessa forma, o Governo Federal, em parceria com o Ministério dos Transportes, deve investir na criação de corredores de ônibus e, também, no aperfeiçoamento e manutenção dos transportes coletivos, a fim de garantir maior qualidade do serviço público, além de minimizar o tempo dos transportes nas vias, promovendo o alcance de mais parcelas da população. Além do mais, devem ser criadas campanhas publicitárias que incentivem o uso de transportes alternativos como bicicletas, trens e metrôs com a finalidade de reduzir a quantidade de gases estufas lançados no globo terrestre, pois, como proferido por Karl Marx: “as inquietudes são as locomotivas da nação.”