A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 10/10/2019

O título da obra literária publicada, em 1941, pelo célebre poeta e dramaturgo, Stefan Zweig, simboliza a origem do epíteto: Brasil - o país do futuro. Porém, no que tange ao gradativo problema da mobilidade urbana e a deficiência estrutural para os meios de transporte viáveis, pode-se inferir que tal predição ainda segue distante da realidade brasileira. Sob esse viés, faz-se profícuo uma análise crítica acerca dessa conjuntura sociopolítica que afeta diretamente a qualidade de vida da população, assim como causa impactos nocivos ao meio ambiente.

A priori, convém citar que, no ano de 2011, o ex-presidente norte americano, Barack Obama, reiterou o vaticínio zweiguiano ao enfatizar que “o futuro chegou” para o Brasil. Conquanto, fica evidente que esse discurso alvissareiro destoa do hodierno e caótico trânsito nas grandes áreas urbanas. Fato esse decorrente da prevalência dos transportes individuais sobre os transportes coletivos, mesmo com medidas que buscam reduzir o número de automóveis em circulação, como por exemplo, o sistema de rodízio veicular. Embora seja inegável a autonomia e conforto ao optar pelo deslocamento com veículo próprio, essa preferência pública traz consequências negativas para as cidades e seus habitantes, entre os quais destacam-se: o aumento da poluição atmosférica e sonora, além das doenças delas decorrentes; maior congestionamento, por conseguinte, perda de tempo e estresse no trânsito; elevação dos acidentes nas vias de circulação.

Ademais, é fulcral ressalvar que a pretensa evasão dos transportes públicos ocorre em detrimento à condição dos serviços oferecidos pelas concessionárias operadoras dos meios coletivos. Nesse sentido, a omissão do Poder Público quanto à regulação e, sobretudo, à fiscalização, deu margem para um serviço de baixa qualidade. De tal forma que os usuários estão sujeitos à cobrança de tarifas elevadas e horários irregulares, além de veículos desconfortáveis e sempre lotados. Com efeito, a premissa do escritor José Saramago é pertinente ao salientar que “sem política não se organiza uma sociedade”, pois a gestão de transporte urbano é um exemplo claro do descompasso entre o crescimento populacional e territorial urbano acelerado com a falta de investimento em infraestrutura de transporte de massa e não motorizado. Fica evidente, portanto, a premência de novas estratégias e planejamento quanto à mobilidade urbana nas metrópoles brasileiras. Dessarte, cabe ao Poder Público investir mais em transportes coletivos – trem, metrô e ônibus – com o fito de aumentar a acessibilidade, atender adequadamente a demanda pública. Paralelamente, o Ministério do Desenvolvimento Urbano deve desenvolver política pública visando trânsito mais fluído e sustentável ao incentivar o deslocamento não motorizado. Isso pode ser feito através de postos municipais com bicicletas destinada à população em consonância com a expansão ciclovias que, estrategicamente, ligarão os terminais rodoviários e estações de transferência metroviária. Com iniciativas assim, haverá um significativo avanço em prol de um país mais atuante para fenecer os problemas do presente e, por conseguinte, construirá o futuro tão almejado.