A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 15/10/2019

Com o advento da chamada “Revolução Verde” — movimento pela modernização do campo, o qual gerou uma massa de trabalhadores desempregados que migrou em direção às cidades —, aliada à industrialização crescente dos grandes centros, constatou-se um aumento exacerbado da população urbana no Brasil. Entretanto, tal crescimento não foi acompanhado por melhorias na infraestrutura das cidades, o que acabou por gerar, entre outros aspectos, em uma problemática referente à circulação dos cidadãos nesse espaço. Dessa forma, tal conjuntura impacta diretamente, e de forma negativa, àqueles que dependem dos meios coletivos de locomoção, tendo esses que enfrentar transportes com altos preços e baixa qualidade, além de um trânsito intenso devido ao alto número de carros nas vias.

A priori, cabe destacar as características do transporte público na grande maioria das cidades brasileiras. Nas “jornadas de junho de 2013”, os protestantes, entre outras demandas, reivindicavam o contraditório ato do Estado no que se refere ao aumento do preço das passagens, sem, contudo, posterior aperfeiçoamento das vias e dos transportes públicos. Nesse contexto, percebe-se que os meios coletivos de locomoção, além de contarem com uma estrutura precária, são controlados por empresas que visam  apenas o lucro, em detrimento da eficaz prestação do serviço. Verifica-se, portanto, as razões para a qual parte da população opta por não utilizar tais modais, que transportam um maior número de pessoas e acabam por ocupar menos espaço nas vias.

Outrossim, cabe analisar as consequências de tal conjuntura referente aos transportes públicos no Brasil. Com a ampliação do modo de produção fordista, a popularização do automóvel — produto símbolo da ideologia do capitalismo pós Guerra Fria — promoveu a amplificação do desejo de consumo desse produto. Logo, de encontro à precariedade dos meios coletivos de locomoção, a adoção do carro foi largamente difundida na sociedade. Por conseguinte, tal atitude serviu para intensificar o trânsito nas vias, o que gera enormes rugosidades no que se refere à locomoção do indivíduo no espaço urbano.

Em síntese, medidas com o intuito de atenuar as problemáticas referentes à mobilidade urbana no Brasil devem ser tomadas. Desse modo, as prefeituras devem promover uma abertura do mercado de transportes públicos, através de parcerias público-privadas (PPP´s), visando oferecer um maior leque de possibilidades ao cidadão, possibilitando com que este escolha aquele que ofereça a melhor qualidade a um menor preço, contribuindo, portanto, para uma maior tendência de adesão da população aos meios coletivos de locomoção em detrimento dos individuais. Com tais medidas, o Brasil poderá oferecer à sua população um trânsito cada vez menos intenso e uma estrutura de locomoção urbana mais eficaz.