A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 21/10/2019

O governo JK, datado da década de 1950, marcou a história da rodovias e estradas brasileiras, quando estas tinham como principal objetivo a atração do setor automobilístico para o país. Dessa feita, o contexto de ocupação desordenada e urbanização mal planejada, ante aos avanços industriais, somou-se à ‘carrocracia’ na gênese de um grave problema de deslocamento. Nessa perspectiva, o grande número de automóveis  -em detrimento do serviço público-  e a falta de planejamento urbano -como incentivo aos modais alternativos-  configuram a crise da mobilidade urbana no Brasil.

Em primeira instância, cabe destacar o caráter precário e insuficiente dos transportes de acesso livre, os quais apresentam superlotação, insegurança e preços altos; por consequência, os veículos particulares são preconizados. Em análise, o Sistema Nacional de Trânsito reuniu dados coletados dos usuários de ambos os modais, constatou-se, então, que mais de dois terços dos motoristas evitam o modal compartilhado pelas suas condições de operação. Assim, tal preferência traduz-se na situação caótica do tráfego nas cidades, condição nociva e retardante aos cidadãos, pois estes podem passar até um quarto do dia presos em engarrafamentos.

Sob esse viés, soma-se ao problema o fato de haver pouco investimento em infraestrutura urbana para adaptação e incentivo aos meios alternativos, como a bicicleta e o patinete,estes além de reduzirem a quantidade de carros, não são poluentes. No tocante a isso, ao documentar a crise do deslocamento no país, a (BBC - Brasil) destaca países onde o estímulo ao modal cicloviário é máximo, como Alemanha e Holanda, nestes, 8 em cada 10 pessoas fazem uso da bicicleta e o caos é quase inexistente no trânsito. Desse modo, é inadmissível e retrógrado que os estados brasileiros deixem de priorizar o investimento nessa alternativa, haja visto seu impacto positivo na atenuação da problemática.

Infere-se, portanto, a necessidade de mitigar as bases que configuram a crise da mobilidade urbana. Urge, para isso, que um projeto de revitalização e investimentos estratégicos sejam feitos com os consórcios de transportes públicos, bem como a implementação em larga escala de ciclovias. Cabe, então, ao Governo Federal associar-se aos estados e municípios para viabilizar tais projetos, os quais ocorrerão por meio do aumento da frota, das linhas e da segurança do modal compartilhado e do incentivo ao uso de meios alternativos. Desse modo, o conceito de ‘carrocracia’ deixará de definir o tráfego nas cidades e o colapso do deslocamento será, aos poucos, resolvido.