A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 16/02/2020

Já dizia Parmênides: não há movimento. O filósofo grego foi um dos primeiros a se perguntar como funcionava o fluxo da vida e, segundo ele, as pessoas são imutáveis. Trazendo essa famosa oração fora do contexto original, há a possibilidade de associá-la à mobilidade urbana brasileira, onde, muitas das vezes, é inerte. Nas grandes cidades, o alto fluxo de veículos causa congestionamentos e afeta a vida das pessoas, uma vez que, a mobilidade é mal planejada, podendo trazer riscos, como os acidentes e, até mesmo, abalar a economia do Brasil.

Por conseguinte, em 1960, a cidade de Brasília, por exemplo, foi fundada e planejada para o deslocamento ser feito de automóvel. Essa ideia de traçado municipal foi influenciada pelo chamado “paradigma do automóvel”, aonde as pessoas optam pelo transporte individual. Todavia, esse raciocínio surgiu por conta dos precários planejamentos a respeito da mobilidade urbana. A pequena frota de ônibus e metrôs, assim como seus limitados deslocamentos, estimulam a população a comprar um veículo de transporte único. Esse ato acarreta no aumento do número de carros, dificultando o movimento nas estradas e reduzindo o fluxo normal de carros e motos.

Similarmente, a grande frota de veículos provoca o aumento o número de acidentes que, além de trazer prejuízos às vítimas, afeta, mesmo que indiretamente, a economia do país. Na maioria das vezes, as pessoa acidentadas estão em idade produtiva e, não podendo trabalhar, não produzem para o país. Além disso, a invalidez causa maiores gastos com a Previdência, uma vez que, pessoas consideradas invalidas, se aposentam com mais facilidade. Ou seja, a falta de planejamento adequado não afeta somente o estereótipo das estradas, mas também todo o fluxo econômico brasileiro.

Levando os aspectos mencionados em consideração, é cabível que haja uma maior atenção na questão da mobilidade das cidades. O Ministério das Cidades, juntamente com o Ministério da Infraestrutura, podem arquitetar planos e colocá-los em prática a fim de aumentar a frota do transporte público, melhorar seu deslocamento e ampliar seus pontos de alcance. Além disso, é viável que haja reformas nas calçadas e nas ciclovias, para estimular a caminhada e a pedalada. Dessa maneira, será possível evitar ou, até mesmo, combater os males causados pela reduzida mobilidade urbana, diminuindo os acidentes e melhorando a qualidade de vida dos habitantes.