A mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 09/04/2020
Segundo pesquisa do IBOPE divulgada no ano de 2015, 83% da população paulista deixaria de utilizar carro no deslocamento diário caso houvesse uma alternativa de transporte público que estivesse de acordo com as expectativas. Infelizmente, tendo passado cinco anos, ainda não foram implementadas medidas públicas eficazes no que se refere à mobilidade urbana no Brasil. Dessa forma, os brasileiros ainda sofrem os efeitos de uma política rodoviarista focada no escoamento de produtos, em detrimento da qualidade de vida da população.
Dessarte, a principal justificativa para a política desumana adotada pelo poder público é o fato de ela garantir boa parte das riquezas em circulação no país, devido, em especial, ao comércio de exportação. Entretanto, ao se comparar o Brasil com um país como a Dinamarca, percebe-se que tal argumento não tem respaldo. Com efeito, segundo o Banco Mundial, a potência europeia apresenta um PIB per capita mais de seis vezes maior que o brasileiro, ao mesmo passo em que sua capital titula como campeã no ranking da revista Fast Company que consagra as cidades mais inteligentes da Europa - o que se deve, em particular, às estratégias adotadas para a redução de gases do efeito estufa por intermédio do incentivo à utilização de bicicletas e transporte público. Assim, Copenhague serve como um bom exemplo de que é possível integrar crescimento econômico com qualidade de vida. Ainda, a arquitetura urbana ideal deve ter como foco principal o bem-estar das pessoas, algo que está bem longe da realidade brasileira. Nesse sentido, o arquiteto dinamarquês e especialista em planejamento urbano Jan Gehl aponta Brasília como a antítese de como deve ser uma cidade bem desenvolvida, pois a capital brasileira é pensada apenas para a mobilidade de carros, com quase nenhum foco no bem-estar dos cidadãos. Para transformar essa realidade, é preciso promover a melhoria do transporte público e a expansão de ciclovias, de modo a estimular a adoção de modais alternativos por parte da população e reduzir o número de automóveis nas ruas.
Com esse objetivo, é preciso que o poder público aja em favor da população. Em primeiro lugar, o Estado deve proibir o transporte de pessoas em pé, haja vista que o excesso de passageiros além do número de bancos é o principal motivo para as pessoas evitarem se locomover por intermédio de ônibus. Nesse escopo, para tornar isso viável, as empresas devem aumentar a frota de ônibus onde for necessário, de modo a garantir o transporte de todos os passageiros sentados e em segurança. Além disso, o governo deve estipular como medida obrigatória do plano diretor dos municípios a construção de ciclovias por toda a extensão do solo urbano, como forma de assegurar a adequada infraestrutura à locomoção de ciclistas.