A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 16/08/2020

O desenvolvimento de estudos logísticos capazes de contribuir para organização das cidades indústrias marcam a Modernidade, apresentando impactos significativos para o planejamento urbano ocidental. Contudo, hodiernamente, diante dos obstáculos apresentados pela dinâmica social nacional e a demanda por alternativas substitutivas mais ecológicas, coloca-se em pau-ta os desafios da mobilidade urbana no Brasil. Nesse sentido, cabe a análise dos aspectos socioculturais que permeiam a problemática, além da observação acerca do papel governamental na remediação dessa.

É relevante abordar, primeiramente, que, em consonância com Karl Marx, o modo de produção material é determinante para a compreensão dos fenômenos sociais. De maneira análoga a lógica mar-xista, o descaso institucionalizado que são tratados os meios de transporte coletivos e a hipervalo-rização do automóvel individual são fruto da lógica capitalista, em que o consumo e a individualização tornam-se preferenciais. Nesse contexto, cria-se no imaginário populacional uma percepção distorcida que atrela a necessidades do indivíduo com o anseio por inclusão na estrutura econômica vigente, convertendo-se, assim, em entraves no fluxo urbano e na emissão intensiva de poluentes atmosféricos.

Paralelo a isso, que a ineficácia estatal na formulação e proposição de estratégias modais, que atendam às demandas contemporâneas, são barreiras significativas para a adaptação e avanço dos sistemas de locomoção brasileiros. Sob essa perspectiva, embora, segundo o IBGE, 80% da população pátria resida nas áreas urbanas do país, o transporte coletivo ainda é deficitário e apresenta-se para a população como inseguro e ineficiente. Diante disso, urge busca por um modelos de deslocação citadinos mais dinâmicos e ecológicos, tal como o adotados em Londres —  em que o investimento em transporte público, aliado a desestimulação do uso de automóveis individuais, contribuiu para a diminuição do trânsito e, consequentemente, para redução dos impactos ambientais.

Portanto, urge a criação de alternativas para a contribuam para o avanço da mobilidade sustentável em território nacional. Para tanto, os Ministério da Infraestrutura e do Meio Ambiente, em ação intersetorial com as Secretarias Estaduais de Logística e Transportes, podem promover, nas mais diversas frentes acadêmicas, o desenvolvimento de pesquisas qualitativas que objetivem elaborar estratégias para a coordenação e integração de sistemas modais adaptados às realidades das regiões do Brasil, fazendo uso dos recursos estruturais e ambientais fornecidos por essas, visando estimular a coletivização e sustentabilidade dos meios de locomoção urbanos através da elaboração de políticas públicas capazes de gerar um deslocamento de pessoas e mercadorias mais coerentes com as demandas socioambientais Pós-Modernas.