A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 24/04/2020

Na obra “Utopia” de Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a mobilidade urbana no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de políticas públicas eficientes no transporte, quanto do aumento descomedido da frota de carros no país. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a imobilidade urbana deriva do sucateamento das políticas públicas no transporte. A greve dos caminhoneiros mostrou a deficiência dessas políticas, que funcionariam muito melhor num sistema de transporte integrado e inteligente. Neste contexto, o Brasil é dependente do petróleo, das rodovias e sua população é pouca engajada em alternativas de transporte sustentável, isso gera um quadro crítico na mobilidade urbana do país. Entretanto, segundo Thomas Hobbes o estado é responsável por assegurar o bem estar da população, o que percebe-se também não ocorrer em relação a essa problemática.

Ademais, é imperativo ressaltar o aumento desregrado no número de carros no contexto brasileiro como promotor do problema. De acordo com uma pesquisa, realizada em 2016 pela fundação Getúlio Vargas, " A frota de automóveis no Brasil cresceu em 400% nos últimos 10 anos". Nesse sentido, vê-se que muitos indivíduos estão a comprar cada vez mais carros, alguns simplesmente levados pela luxuria e não pensam, ainda, nos malefícios que isso traz à sociedade. Prejudicando assim os direitos sociais como: segurança e saúde - gerados pela violência e poluição no trânsito- garantidos no artigo 6º da Constituição Federal de 1988. Ora, se sociedade mantiver esses comportamentos antiéticos, ditos por Aristóteles como atitudes que não julgavam o bem comum, ter-se-á no Brasil mais problemas no trânsito; influenciando negativamente, eventualmente, outros problemas urbanos.

Logo, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática. Destarte, com o intuito de mitigar a imobilidade urbana, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Infraestrutura em parceria com os prefeitos, será revertido em investimento em outros modais de transporte, como: transporte ferroviário, transporte fluvial, além de investir em ciclovias nas cidades, por meio da construção de linhas de trem, metrô e ciclovias em diversas regiões do país. Deveria ser feito também um barateamento desses meios, para que sejam acessíveis a mais pessoas. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo dos problemas de mobilidade urbana, e a coletividade alcançará a Utopia de More.