A mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 12/05/2020
Em seu poema “Cota Zero”, Carlos Drummond de Andrade, renomado poeta brasileiro, critica a dependência entre a existência humana e o automóvel, marco do progresso industrial. De maneira análoga ao poeta modernista, a sociedade atual enfrenta desafios no que diz respeito à mobilidade urbana, devido à subordinação ao automóvel. Dessa maneira, cabe analisar a aquisição do carro como status social e a ineficiência de políticas públicas, fatores que colaboram para a problemática.
Constata-se, a princípio, o investimento majoritário no setor rodoviário no século XIX, parte do projeto desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek. Nessa perspectiva, o país optou pelo rodoviarismo, sendo um incentivo em prol do crescimento dos carros nas urbes, o que favorece sua exaltação para ascensão social. Seguindo essa linha de raciocínio, a mobilidade urbana atual é prejudicada, pois concentra um intenso tráfego nas metrópoles, fator contribuinte para a violência urbana. Isso é ressaltado pelo pensamento do filósofo A. Schopenhauer, no qual a angústia limita o campo de visão humana, ou seja, indivíduos tornam-se impacientes e agressivos mediante ao congestionamento urbano.
Além disso, é válido salientar os ínfimos investimentos na estrutura das urbes. Por consequência da industrialização, houve o incentivo ao rodoviarismo, ocasionando a constante emissão de gases poluentes, fator que acarreta a degradação do meio ambiente. Sob esse viés, o país carece de concentração de capital em transportes modais alternativos e sustentáveis, como o setor ferroviário, posto em segundo plano no projeto de JK, ressaltando a prevalência do automóvel. Ademais, a falta de infraestrutura em outros transportes prejudica a população, um exemplo disso são os trens e metrôs lotados nas metrópoles, sem estrutura e acessibilidade para pessoas com deficiência. Com isso, é inegável a importância de ações governamentais acerca do impasse.
Em face do exposto, medidas são imprescindíveis para a consolidação do direito de ir e vir. Portanto, urge ao Ministério da Infraestrutura destinar verbas às Secretarias Municipais de Transportes, por meio da arrecadação do dinheiro de pedágios, tendo em vista que existe um grande investimento no setor rodoviário, com o intuito de promover reformas nos transportes alternativos do país. Em adição, o Ministério do Desenvolvimento Regional deve aumentar as ciclovias nas cidades, por intermédio de subsídios, o que irá estimular o uso de bicicletas e, quiçá, a substituição dos automóveis nas urbes. Somente assim, a dependência criticada por Drummond será coibida.