A mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 17/05/2020
Durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek, ao final da década de 1950, a política rodoviária brasileira priorizou a indústria automobilística, de modo que o número de veículos em circulação cresceu vertiginosamente. Tal contexto ainda surte efeitos na atual conjuntura da mobilidade urbana no Brasil, a qual é cada vez mais dificultada, em virtude de fatores como o sucateamento do transporte público e da escassez de infraestrutura voltada para meios alternativos.
Em primeiro plano, é válido destacar como a má qualidade do transporte coletivo contribui com a problemática. Segundo a filósofa Hanna Arendt, o funcionamento pleno dos recursos públicos é fundamental para a manutenção da cidadania. Nesse sentido, aplicando o conceito ao contexto, a falta de manutenção dos ônibus e metrôs das grandes cidades, assim como a constante lotação excessiva desses veículos, afeta a qualidade de vida das pessoas dependentes desses transportes. Com efeito, observa-se a continuidade de um ciclo de insatisfação diário, o qual gera prejuízos para a produtividade dos trabalhadores, que ficam constantemente cansados e estressados.
Outrossim, a escassez de opções quanto aos meios de transporte alternativos e mais sustentáveis, devido à falta de infraestrutura, acarreta na maior procura por automóveis de uso pessoal. De acordo como dados do Observatório das Metrópoles, entre 2002 e 2012, o aumento populacional brasileiro foi entorno de 12%, ao passo em que, a frota de veículos cresceu em 138%. Dessa forma, para muitas pessoas, aquilo que parece ser uma solução para um problema pessoal, cria outros de cunho coletivo. Em suma, a maior circulação de carros e motos nas rodovias eleva a emissão de gases poluentes, prejudiciais ao meio ambiente e à saúde, gera mais engarrafamentos e eleva as despesas com uso de transporte por pessoa.
Portanto, considerando os fatos mencionados, fica clara a necessidade de ampliar políticas que facilitem a mobilidade urbana no Brasil. Dessarte, cabe ao Poder Executivo, ampliar os investimentos voltados para o transporte coletivo e para obras de infraestrutura rodoviária. Isso pode ser feito por meio do aumento da frota de veículos comunitários e com a manutenção constante de todos seus aparatos. Assim será possível tornar esse meio mais atrativo e acessível para a população em geral. Além disso, toda a infraestrutura voltada para modais de transporte alternativos deve ser remodelada, com a construção de ciclovias e de calçadas que facilitem a movimentação nas cidades. Dessa forma, além de proporcionar formas de lazer, será possível estimular a circulação sustentável de pessoas e produtos em território nacional. Por fim, de acordo com Hannah Arendt, a cidadania plena será garantida.