A mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 07/10/2020
A “Revolta do Vintém” aconteceu em 1879, durando o governo de Dom Pedro II, onde a população se revoltou com o aumento de 20 réis sobre as passagens de bondes e trens. A incapacidade de lidar com a mobilidade urbana é histórica. Os inchaços urbanos e o dificulto acesso aos centros comerciais, somado ao incentivo do uso de automóveis e sua obstrução das vias de trânsito, geram um cenário árduo no acesso à cidade.
Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que a urbanização desordenada é a geratriz da falta de mobilidade urbana. Nesse contexto, os polos empregatícios concentram-se nos grandes centros urbanos, que são acessados por uma diminuta malha metroviária acompanhada de ônibus que não comportam o número de usuários e que possuem péssima infraestrutura. Por vezes, os trens apresentam paralisações durante o horário comercial e os ônibus possuem rotas inacessíveis a todos os pontos da cidade. Portanto, nota-se que o despreparo governamental em pensar a formação da cidade e criar ferramentas acessíveis, nega o acesso à cidade.
Por conseguinte, o transporte coletivo torna-se inviável e desconfortável ao usuário, favorecendo o uso do transporte individual, como carros e motos. Segundo o Observatório das Metrópoles, em 2018, o total de automóveis passou para 65,7 milhões contra 37,1 milhões de 2008, sendo que 17 regiões metropolitanas são responsáveis por esse crescimento. Conclui-se que o déficit do transporte público é fomentado através de meios que agravam o trânsito.
Diante desse contexto, é evidente a necessidade de investimento no transporte público. Em primeiro lugar, o Ministério da Economia, junto às Câmaras Municipais, devem dar incentivos fiscais às empresas localizadas nas regiões metropolitanas, a fim de espraiar as possibilidades para além dos centros urbanos, desobstruindo-os. Ademais, o Ministério do Planejamento junto ao Ministério do Transporte deve viabilizar o passe livre gradualmente, de modo que as empresas não precisem mais pagar vale-transporte aos funcionários e assim podem arrecadar mais impostos que serão coletados para investir na infraestrutura dos transportes coletivos e na construção de ciclovias, propiciando assim uma mobilidade urbana mais sustentável e fluída.