A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 04/06/2020

A literatura mais antiga relacionada ao transporte público, segundo o engenheiro Alcantara de Vasconcellos, compreendia a mobilidade urbana de forma quantitativa, ou seja, uma relação do número de viagens realizadas pelo indivíduo no traçado urbano. No entanto, percebeu-se a necessidade de ampliar essa observação, sobre a ótica da qualidade de como esses deslocamentos são processados. Nesse sentindo, urge a necessidade de analisar a mobilidade urbana no Brasil. Desse modo, percebe-se a falta de consonância perante os direitos da Constituição de 1988 e o cenário real, além de expor  que os emblemas associados a tal questão estão atrelados a insuficiência de planejamentos urbanos.       A princípio, o filósofo Henrique de Lima, no ‘‘Enigma da Modernidade’’, elucidou que apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é, por sua vez, primitiva em suas razões éticas. Tanto que pode-se realizar um paralelo entre a Constituição Cidadã- que estabelece a mobilidade urbana como um direito constitucional- e a realidade exposta, a qual demonstra uma situação oposta, seja pela falta de um ordenamento adequado para suportar, de forma equilibrada, a quantidade de automóveis nas vias urbanas, seja pela desvalorização do transporte público das cidades. Dessa maneira, percebe-se a falta de consonância ante os dispositivos da Carta Magna e a realidade factual, que expressa-se, nesse caso, na mobilidade das cidades brasileiras.

Outrossim, o processo de urbanização do Brasil, segundo os historiadores, foi desordenado e acelerado. Ao passo que a maioria das cidades brasileiras não possuiu um planejamento adequado para suportar, por exemplo, a quantidade expressiva de novos habitantes, que estavam vindo do campo para a cidade. Nessa lógica, na contemporaneidade, nota-se que muitas cidades enfrentam uma infra-estrutura que não condiciona um deslocamento acessível do indivíduo, como observa-se nos rotineiros engarrafamentos das vias urbanas, por exemplo. À vista disso, percebe-se que essa situação é fruto de um planejamento urbano mínguo, sobretudo, direcionado ao bom funcionamento das malhas viárias.

Logo, é mister que o Estado mude esse quadro. Para tanto, é fundamental que o Poder Executivo desenvolva programas sociais, por meio de verbas governamentais, com o intuito de que a mobilidade venha a se tornar eficiente nas cidades. Ademais, é imprescindível que esses programas sejam feitos da seguinte maneira: valorização do transporte público, mediante a melhoria da qualidade dos ônibus e metrôs; como também o desenvolvimento de campanhas publicitárias, aliados à mídia, que demonstrem, com depoimentos de urbanistas, a importância da utilização de transporte público, para, assim, atenuar o número de carros individuais na malha urbana. Dessa forma, mitigar-se-ão os problemas relacionadas a essa questão no tecido social pós-moderno.