A mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 22/09/2020
O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Em alusão à citação, percebe-se que a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito aos desafios da locomobilidade urbana, visto que os investimentos em mobilidade urbana não acompanham a atual demanda, de acordo com o Ipea. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causas: a insuficiência de leis e a falta de infraestrutura.
A princípio, a insuficiência legislativa apresenta-se como um complexo dificultador. A Constituição Federal, de 1988, é a lei básica brasileira que busca garantir a integridade dos seres vivos e do ambiente em que estão inseridos. Segundo dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 45% dos motoristas brasileiros dizem que enfrentam diariamente congestionamentos no país. Diante disso, nota-se que essa legislação não tem sido suficiente no que se refere à garantia do direito à mobilidade urbana, pois impede a circulação de pessoas e cargas em condições harmoniosas e adequadas no trânsito. Assim, com a lei sendo enfraquecida, dificulta-se a resolução desse problema.
Outro ponto relevante nessa temática é a falta de infraestrutura. Desse modo, a filósofa alemã Hannah Arendt defende que o espaço público seja preservado para que se assegurem as condições da prática da liberdade e da manutenção da cidadania. Ou seja, sem uma infraestrutura pública, o cidadão é prejudicado. Esse aspecto está presente de maneira decisiva no que tange à crise na mobilidade urbana brasileira, uma vez que há falta de investimento em infraestrutura de transporte de massa e não motorizado. Dessa maneira, percebe-se o aumento das lotações dos transportes coletivos, dos engarrafamentos e, consequentemente, afeta negativamente a qualidade de vida e o bem-estar da população urbana.
Logo, medidas estratégicas são necessárias par alterar esse cenário. Torna-se imperativo, portanto, modificar a visão da população a respeito das leis. Isso pode ocorrer por meio de uma ação conjunta do Poder Judiciário com o Ministério da Educação, promovendo palestras e debates em escolas acerca do processo de elaboração e fiscalização das leis no Brasil. Ademais, esses acontecimentos não devem se limitar aos alunos, mas ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam o propósito das leis e se tornem mais atuantes na busca de resoluções de problemas como a falta de mobilidade urbana.