A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 01/07/2020

Em 2008 foi lançado o aplicativo de GPS “Waze” que tem como principal função auxiliar aos motoristas a encontrar rotas alternativas e caminhos menos engarrafados para chegar aos seus destinos. Entretanto, o aplicativo que primordialmente tinha o objetivo de facilitar a locomoção, se tornou fundamental para muitos motoristas por ajudar a fugir dos popularmente conhecidos “engarrafamentos”. Ademais, a questão da mobilidade urbana no Brasil sofre com problemas relacionados a má gestão e a precariedade dos transportes públicos.

Em primeiro lugar, é necessário ressaltar a construção histórica do modal rodoviário, que se tornou um empecilho ao bom fluxo urbano, no contexto brasileiro. A esse respeito, o ex-presidente Juscelino Kubitschek (JK), na década de 50, investiu majoritariamente em rodovias, o que impulsionou a população a adquirir veículos. Contudo, o modelo automobilístico econômico proposto por JK promoveu- e ainda promove- o individualismo que transparece na preferência por carros individuais em detrimento dos transportes coletivos, sobrecarregando a malha rodoviária. Isso implica numa série de consequências prejudiciais, como os congestionamentos e os atrasos no deslocamento de pessoas e mercadorias.

Além disso, a infraestrutura é um ponto chave quando se busca entender o porquê do caos dos transportes rodoviários. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mais de 1 milhão de pessoas leva mais de 2 horas na locomoção da sua residência até o local de trabalho, e mais, o transporte público, composto por ônibus, trens e metrô sofre com a superlotação, a falta de manutenção e tarifas abusivas. Sendo assim, muitas pessoas buscam transportes individuais, o que prejudica a consolidação e plenitude do transporte público.

Portanto, fica evidente que o uso exclusivo do transporte rodoviário e a falta de ação estatal no que se refere a infraestrutura corroboram para o cenário caótico do trânsito. Sendo assim, cabe ao Ministério da Infraestrutura, responsável pelas políticas nacionais de trânsito e de transportes, investir na construção de ciclovias, alinhado com o Ministério da Educação que paralelamente deve atuar nas escolas, por meio de palestras e seminários, ministrados por profissionais de planejamento urbano, a fim de incentivar as pessoas ao uso de transportes públicos alternativos e conscientizar a respeito dos problemas de mobilidade urbana existentes.