A mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 08/07/2020
Na obra “A cidade do Sol”, do escritor italiano Tomasso Camponella, é retratada uma sociedade metodicamente harmoniosa e ordenada, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e adversidades. No entanto, o que se observa na realidade brasileira é o oposto da óptica retratada pelo autor, uma vez que a mobilidade urbana apresenta barreiras. Assim, esse cenário antagônico é consequência tanto da ineficácia do Estado, quanto da falta de planejamento urbano, os quais dificultam a concretização da cidade utópica referenciada. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Em primeiro plano, é evidente que a indiferença das autoridades públicas inviabiliza a questão da acessibilidade urbana. Nesse contexto, Thomas Hobbes, teórico contratualista, afirma que o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, incluindo o direito de acesso à cidade. Entretanto, esse direito está distante de ser realidade entre a população brasileira, isso porque o Estado não assegura que o artigo 21 da Constituição Federal de 1988 seja inteiramente posto em prática. Logo, o fato de que o setor estatal não proporciona um transporte público de qualidade é inquestionável. Dessa forma, não é razoável ressaltar que a inércia estatal contribui para que a mobilidade urbana continue negligenciada.
Sob esse viés, pode-se apontar como um empecilho à consolidação de uma solução, o insuficiente preparo urbano. Dado que, conforme Pierre Bordieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser revertido em mecanismo de opressão. Por conseguinte, torna-se explicito como grande porcentagem da população sofre pela displicência do governo quanto a organização de rodovias, o que deveria ser algo que auxiliasse a locomoção. Tal como no projeto de reurbanização do Rio de Janeiro, o qual levou com que as famílias mais pobres fossem obrigadas a mudar-se para subúrbios, gerando uma aglomeração concentrada não planejada. Dessarte, é nítido que a negligente organização das cidades contribui para a consolidação do problema.
Portanto, torna-se fundamental a resolução desses aspectos aspectos. Em suma, cabe ao Ministério da Infraestrutura, juntamente ao Governo Federal, a instauração de ciclovias e adesão de rodízio veicular, além da ampliação da rede pública de transportes. Em síntese, a ação deve ser feita por intermédio de projetos de lei, de forma que assegurem o cumprimento das medidas supracitadas, sem dúvida, é indubitável que os transportes públicos advindos sejam seguros e em bom estado. Só assim, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da problemática, e a coletividade alcançará a “cidade do Sol” descrita por Camponella.