A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 08/07/2020

No dicionário, mobilidade significa “facilidade para se mover”. No entanto, no Brasil, diversos são os fatores que impedem essa fluidez no meio urbano. Por ser um país “carrocrata”, as vias de transporte foram construídas para a utilização de carros, dificultando a inserção de outros meios de locomoção no cotidiano do brasileiro. Dessa forma, a mobilidade urbana na atualidade enfrenta uma grave falta de estrutura para o funcionamento de transportes alternativos e, em decorrência disso, aumenta-se o uso dos automóveis e o consequente trânsito nas ruas.

A princípio, convém pontuar que o plano desenvolvimentista do ex-presidente Juscelino Kubitschek estimulou a construção em massa de rodovias e também gerou investimentos na indústria automobilística, propiciando, cada vez mais, o uso de veículos particulares. Em contrapartida, os meios de transporte alternativos continuam negligenciados e a sua utilização é desencorajada. No que se trata dos modais coletivos, ônibus e metrôs não possuem frotas o suficiente para atender toda a demanda dos usuários, por isso, estão sempre lotados. Além disso, faltam vias acolhedoras para ciclistas e pedestres, que, na maioria das vezes, circulam sem segurança e conforto devido à falta de iluminação e de espaço nas calçadas.

Portanto, o descaso com os meios de transportes alternativos e a priorização por automóveis pessoais têm desdobramentos negativos na mobilidade urbana. Em primeiro lugar, o aumento do trânsito congestiona as principais ruas das cidades, o que gera a menor produtividade dos trabalhadores que dependem desses trechos por conta dos atrasos, além do estresse e da ansiedade que a situação provoca. Ademais, o excesso de veículos nas estradas produzem grande quantidade de poluição no ar por meio de resíduos tóxicos que são nocivos à saúde, causando problemas respiratórios nos indivíduos que estão em contato diariamente com esse ambiente. Uma pesquisa da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental confirma a informação, provando que 90% da poluição atmosférica na cidade de São Paulo provém da emissão de gases veiculares.

Urge, então, a necessidade de amenizar os desafios causados pela mobilidade urbana no Brasil. É dever dos municípios, juntamente com o Poder Legislativo, a criação de projetos para a melhoria da iluminação e a ampliação das calçadas públicas, com o objetivo de evitar que pedestres e ciclistas migrem de modais de transporte, incentivando-os a manter a locomoção de maneira sustentável. Outrossim, é necessário que as Prefeituras Municipais pressionem as empresas de ônibus e metrôs para que aumentem as frotas de veículos em horários de pico, assim, poderão atender à demanda dos usuários de forma eficiente. Com essas medidas, é esperado que os desafios citados sejam superados.