A mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 22/07/2020
Na música “Trem das Onze”, do sambista Adoniran Barbosa, percebe-se uma crítica velada ao sistema de transporte público da época nos versos “se eu perder esse trem que sai agora, às onze horas, só amanhã, de manhã”. Tal narrativa, apesar de retratar o Brasil do século XX, ainda é bastante presente no contexto atual, haja vista que a ausência de mobilidade urbana continua sendo motivo de preocupação para muitas pessoas. Isso posto, faz-se necessária a discussão da principal causa do entrave e das consequências que ele acarreta, a fim de resolvê-lo.
A princípio, convém pontuar que o Governo é o gerador basilar da grave ineficiência dos meios de locomoção coletivos e seus agravos. Nessa perspectiva, o economista indiano Amartya Sen afirma que o Estado tem a obrigação de garantir o bem-estar da população. Contudo, é evidente que tal responsabilidade não é atendida no Brasil, uma vez essa instituição não oferece boas alternativas no que tange ao bom deslocamento dos indivíduos, como o oferecimento de vias seguras e manutenção dos ônibus. Dessa forma, há a triste perpetuação do desafio da mobilidade urbana.
Consequentemente, como o agente responsável não soluciona o imbróglio, constata-se a existência de sequelas físicas nos cidadãos que enfrentam o trânsito. Sob esse viés, a novela “La Gata”, criada pela produtora mexicana Televisa, mostra um acidente automobilístico que faz com que a personagem Esmeralda passe a não querer sair mais de casa. De maneira análoga, é assim que acontece na realidade: as pessoas que são expostas ao tráfego diário nas ruas brasileiras acabam sofrendo acidentes. Assim, são obrigadas a lidar com os traumas, como o estresse pós-traumático e as lesões nos membros.
Portanto, medidas são necessárias para atenuar o problema supracitado. Dessarte, o Ministério da Infraestrutura, órgão responsável pelas reformas estruturais do Brasil, deve, por meio de parcerias com as Prefeituras Municipais, criar o projeto “Faz Andar Já”. Esse programa, com o fito de melhorar a situação da mobilidade urbana no território nacional, promoverá a disseminação de transportes coletivos de qualidade e em número satisfatório, além de realizar a requalificação das rodovias. Ademais, deve disponibilizar tratamento psicológico de qualidade para as vítimas. Dessa maneira, as críticas em letras de música não serão mais necessárias.