A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 08/11/2020

O documentário “130 quilômetros – Vida ao Extremo”, relata a vida de quatro moradores da periferia de São Paulo, estes demoram mais de três horas para chegar ao seu local de trabalho. Dessa maneira, torna-se premente analisar as duas vertentes dessa problemática: inércia urbana nos bairros extremos e o despreparo de políticas públicas em relação ao deslocamento ocasionando aumento de veículos particulares.

A priori, é imperioso demonstrar a dificuldade dos que moram afastados, como por exemplo, do local de trabalho, de hospitais dentre outros. No ano de dois mil e dezesseis, foi criado no Rio de Janeiro um teleférico, no qual sua rota favorecia os periféricos, mas foi desligado depois de alguns anos. Acerca disso, é pertinente citar a frase do sociólogo Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Desse modo, é possível observar o descaso do governo em relação aos mais desfavorecidos. À vista disso, os que residem distanciados mais uma vez estão sendo segregados de espaços, que são garantidos à eles em uma constituição - Art.°5 direito de ir e vir -, por falta de meios de locomoção público.

Sob outro prisma, é possível perceber o aumento de automóveis individuais devido a imobilidade dos transportes coletivos. Deste modo, de acordo com a pesquisa da Fundação Getúlio Vargas -FGV-, no período de dois mil e dezesseis há dois mil e dezoito houve um aumento de quatrocentos por cento no número de carros pessoais. Assim, seguindo o ideário do antropólogo Milton Santos, na qual afirma que a globalização mata a noção de solidariedade. Logo, constata-se o menosprezo do governo com a população carente e o meio ambiente, pois o desejo de comprar um veículo particular origina-se da falta de locomobilidade.

Portanto, destaca-se, assim, a globalização como resultante da poluição, mas também revela a falta de preparo do Estado no que tange, o deslocamento da população. Dessarte, cabe ao Poder Executivo, por meio do Ministério da Infraestrutura, criar uma rede de conversação com os órgãos Municipais responsáveis pelo no transporte dos cidadãos, para que não haja falha em nenhum deles . Isso pode ser feito com a criação de debates democráticos em que a população esteja ciente sobre o decorrer da situação do seu município. Essa proposta tem por finalidade, ainda que minimamente, a garantia do direito de deslocar-se com segurança no contexto brasileiro desigual e, em alguma medida, os efeitos das mudanças junto com a pressão popular seja capaz de melhorar a mobilidade urbana.