A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 04/08/2020

A mobilidade urbana está relacionada com tudo que se diz respeito ao deslocamento das pessoas dentro do perímetro urbano, e o direito de ir e vir está assegurado pelo artigo 5º, inciso 15 da Constituição Federal de 1988, no qual diz que é uma das garantias fundamentais dos cidadãos. Nesse contexto, é dever da cidade garantir tal deslocamento de seus habitantes de forma rápida, segura e eficiente. Lamentável, portanto, esse direito não tem sido assegurado no país.

Em primeiro lugar, podemos destacar a deficiência de políticas públicas no transporte de massa. Ao passo que, a greve dos caminhoneiros em 2018 mostrou, por exemplo, que esse sistema funcionaria muito melhor com um transporte inteligente e integrado, haja vista que, a paralisação causou indisponibilidade de alimentos e remédios, escassez e alta de preços de gasolina. Não obstante, o país é dependente do petróleo das rodovias e sua população é pouco engajada em alternativas de transporte sustentável. Isso, consequentemente, gera um quadro crítico na mobilidade urbana do país.

A posteriori, cabe também destacar como outro ponto importante, o aumento descometido da frota de carros no Brasil, que segundo pesquisa feita pela FGV de 2016, o número de automóveis cresceu cerca de 400% nos últimos 10 anos. Em síntese, este fator não é positivo, tendo que vista que o transporte individual acarreta em vias lotadas, engarrafamentos e horas dobradas pra se conseguir chegar ao destino. Nesse contexto, o transporte coletivo é o único sistema capaz de garantir uma mobilidade urbana sustentável, mas para que seja eficiente necessita que a cidade e suas vias permitam que este modo funcione. Vale ressaltar que o uso de bicicletas, gratuito, saudável e rápido é também uma forma de reduzir os impactos da vias superlotadas.

Sendo assim, para que haja mudanças efetivas, é preciso uma interação do transporte coletivo e individual em harmonia  com a cidade, em prol da sustentabilidade. Em suma, diria o jornalista e ambientalista Paul Hawkin “tudo está conectado, nada pode se mudar sozinho’’. Cabe, então, ao Governo Federal, Estadual e Municipal, construir ou ampliar as ciclovias e impor a aplicabilidade das verbas destinadas ao transporte, na formação de cidade mais sustentáveis e resilientes, preparadas, por conseguinte, para situações de crises e emergências.