A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 06/08/2020

Em meados do século XX, o Brasil começou a passar por um intenso processo de industrialização, priorizando a instalação de multinacionais automotivas no país e consequentemente a construção de diversas estradas. Tal processo, causa impactos até os dias de hoje. Segundo o site de informações G1, o Brasil não somente é o país com um dos maiores índices de carros por habitantes, mas também um dos piores países para se locomover com transportes alternativos. Essa situação nefasta ocorre não somente por conta do histórico precário de planejamento urbano, como também pela ausência de ações por parte do Estado que busquem converter essa situação.

Em primeira análise, é importante ressaltar que o planejamento urbano em âmbito nacional ocorreu de forma desorganizada, influenciada pelo êxodo rural que aconteceu no final dos anos 40. Isso acarretou não somente em um acúmulo de pessoas nos grandes centros, como também em um alto incentivo governamental com taxas e juros baixos para que as compra de veículos próprios fossem realizadas na intenção de modernizar o país. Porém, em consonância com o geógrafo Milton Santos, o problema da globalização é que ela nunca chega para todos. Por consequência, o investimento em modais de transporte alternativos para aqueles que não poderiam possuir seus próprios automóveis foram baixos e nunca realmente explorados no seu total potencial.

Por conseguinte, vale ressaltar que, de acordo com a Constituição de 1988, todo indivíduo brasileiro possuí o direito de ir e vir com segurança. Essa garantia, porém, na prática é deturpada, uma vez em que grande parte dos cidadãos encontram dificuldades no que tange a mobilidade urbana e sua segurança. Em 2015, um acidente na ciclovia pinheiros em São Paulo, por erros na construção causou a morte de duas crianças, o que gerou uma onda de protestos de ciclistas em várias regiões do país. Infelizmente, casos como esse são comuns, e ainda assim, pouco por parte do Estado é feito para converter tais situações. Desse modo, constata-se, a falha deste em não somente promover ações que influenciem os modais de transporte alternativos, como em garantir sua seguridade.

Depreende-se, portanto, a necessidade do Governo transformar seus modais de transporte atuais, por intermédio de parcerias público-privadas, com a instalação de conexões de linhas estratégicas em diferentes pontos das cidades, que contem com a facilidade de alugar bicicletas, patins e patinetes com taxas já inclusas no bilhete do metro. Além disso, é primordial que aja por meio de reformas na estrutura das cidades, uma renovação nos seus circuitos para receber com segurança os modelos de transporte sustentáveis. Espera-se, com o conjunto dessas ações, melhorar a facilidade de ir e vir, e com ela a qualidade de vida. Fazendo valer, assim, os direitos garantidos em nossa carta magna.