A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 16/08/2020

De fato , o plano desenvolvimentista - conhecido pelo lema “50 anos em 5” - de Juscelino Kubitschek (presidente de 1956 a 1961), integrou o Brasil, por meio da construção de extensas estradas, e fomentou a industria automobilística brasileira. No entanto, essa política rodoviarista traz consequências negativas para o atual sistema de transportes do país, sobretudo nas grandes cidades. Nesse sentido, faz-se necessário analisar medidas para se mitigar as mazelas sociais e econômicas geradas pela imobilidade urbana.

Em primeiro plano, estima-se que o brasileiro gaste em média 114 minutos no trajeto casa-trabalho-casa, em dias úteis. Um total somado de 21 dias por ano presos em engarramentos. Esses são os dados estimados de acordo com pesquisas da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). Isso acarreta em trabalhadores menos produtivos. Não só pelo tempo que poderia estar sendo melhor aproveitado, bem como pelo desgaste físico e emocional.

Além da esfera social, a economia também é afetada. Diversas empresas perdem prazos e cargas pela dificuldade de escoamento terrestre. Segundo o mesmo estudo da Firjan, aproximadamente 4,4% do PIB brasileiro - ou seja, 290,4 bilhões de reais - é desperdiçado por conta da má gestão na locomoção de bens e pessoas.

Esses problemas se devem ao fato de que o Brasil não possui uma rede de transportes alternativa integrada. Também se devem à cultura de glamourização de automóveis particulares, na qual possuir um carro é símbolo de status. A consequência são ruas e estradas lotadas de veículos transportando apenas uma pessoa. Ao mesmo tempo em que um transporte coletivo poderia o estar fazendo de forma 40 vezes mais eficiente e praticamente no mesmo espaço físico.

Portanto, urge a necessidade de se atenuar esse problema tanto coletiva quanto estruturalmente. Para que o território da nação e o tempo do brasileiro sejam melhores aproveitados é preciso que as prefeituras invistam em um transporte público de qualidade. Integrando ônibus, metrô, trem e ciclovias e garantido que o usuário desses modais tenha o mínimo  de conforto desejado. Isso pode ser feito por meio de obras de infraestrutura e expandindo a frota dos respectivos modais. Além de também disponibilizar uma passagem que atenda a toda essa rede sem onerar os cidadãos, assim como é feito na Holanda por exemplo. Vale ressaltar que, para que esse projeto funcione como o esperado, é preciso que, em paralelo, se inviabilize o uso de carros particulares, através de pedágios, aumento de impostos sobre combustíveis e automóveis, bem como da redução de estacionamentos públicos. Dessa maneira tornando mais vantajosa a rede publica de transportes.